MINISTRO DA SAÚDE ASSINA CONTRATO PARA COMPRA DA BUTANTAN-DV, PRIMEIRA VACINA BRASILEIRA DE DOSE ÚNICA CONTRA A DENGUE

Brasil assina contrato para compra da Butantan-DV, primeira vacina de dose única contra a dengue, com investimento de R$ 368 milhões e distribuição pelo SUS.

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Foto: Instituto Butantan

21/12/2025 ◦ Por: João Vitor Barros

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou nesta sexta-feira (19) o contrato para a aquisição das primeiras doses da Butantan-DV, a primeira vacina de dose única contra a dengue produzida no Brasil e também a primeira do tipo no mundo. O acordo firmado entre o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan garante o início da distribuição do imunizante pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O investimento inicial será de R$ 368 milhões, destinados ao fornecimento de 3,9 milhões de doses à rede pública. Desse total, 300 mil doses já estão prontas para entrega, enquanto outras 1,3 milhão foram produzidas e serão encaminhadas gradualmente ao ministério.

Vacina aprovada e distribuição pelo SUS

A liberação da Butantan-DV ocorreu após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária conceder o registro do imunizante no dia 8 de dezembro. Com isso, a vacina passou a ter produção e comercialização autorizadas, sendo ofertada exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde.

Inicialmente, a estratégia de vacinação prioriza profissionais da Atenção Primária à Saúde, que atuam diretamente na linha de frente do SUS. Entre eles estão agentes comunitários, agentes de combate às endemias, enfermeiros, técnicos de enfermagem e médicos que realizam visitas domiciliares. A previsão é que essa etapa comece no fim de janeiro de 2026.

Durante a assinatura do contrato, Padilha destacou a relevância do momento. Segundo ele, a formalização do acordo representa um marco para a ciência nacional e fortalece a capacidade de resposta do país no enfrentamento da dengue.

Estratégia inicial e municípios-piloto

Além da imunização dos profissionais de saúde, o Ministério da Saúde definiu uma estratégia de avaliação do impacto populacional da vacina. Para isso, serão realizadas ações de vacinação acelerada em municípios-piloto, como Botucatu (SP) e Maranguape (CE). Nessas cidades, adolescentes e adultos de 15 a 59 anos formarão o público-alvo inicial. Há, ainda, a possibilidade de inclusão de Nova Lima (MG) nessa etapa.

A definição do público prioritário ocorreu após reuniões técnicas com especialistas e segue recomendação da Câmara Técnica de Assessoramento de Imunização (CTAI).

Dose única e alta eficácia

Por contar com esquema vacinal de dose única, a Butantan-DV facilita a adesão da população e permite uma proteção mais rápida. Estudos clínicos apontam 74,7% de eficácia contra a dengue sintomática, além de 89% de proteção contra formas graves e com sinais de alarme. O imunizante protege contra os quatro sorotipos do vírus da dengue.

Produção ampliada com parceria internacional

Para ampliar a oferta de doses e permitir a vacinação da população em geral, o Brasil firmou uma parceria estratégica com a China. A tecnologia desenvolvida pelo Instituto Butantan será transferida para a empresa chinesa WuXi Vaccines. Com essa cooperação, a capacidade produtiva poderá crescer em até 30 vezes.

A expectativa do Ministério da Saúde é iniciar a vacinação da população geral a partir dos adultos com 59 anos, avançando gradualmente para faixas etárias mais jovens, até alcançar pessoas a partir de 15 anos.

Investimentos e fortalecimento da produção nacional

O desenvolvimento da vacina contou com R$ 130 milhões em investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, além de aportes contínuos do Ministério da Saúde. Atualmente, o governo destina mais de R$ 10 bilhões por ano ao fortalecimento da produção nacional de imunizantes. Com a vacina da dengue e a parceria internacional, esse valor pode chegar a R$ 15 bilhões.

Dentro do Novo PAC Saúde, estão previstos mais de R$ 1,2 bilhão para a ampliação da capacidade produtiva do Instituto Butantan, incluindo infraestrutura para a fabricação da Butantan-DV.

Dengue em queda, mas vigilância continua

Em 2025, o Brasil registrou redução de 75% nos casos prováveis de dengue e queda de 72% nos óbitos em comparação com 2024. Ainda assim, o Ministério da Saúde reforça que o combate ao mosquito Aedes aegypti e as ações de prevenção seguem essenciais.

Entre as medidas recomendadas estão a eliminação de criadouros, vedação de reservatórios de água, limpeza de calhas e ralos, além do uso de telas e repelentes em áreas com transmissão.

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