FAZENDA ELEVA PROJEÇÃO DE INFLAÇÃO PARA 2026 COM ALTA DO PETRÓLEO E MANTÉM PIB EM 2,3%

Fazenda eleva projeção do IPCA de 2026 para 3,7% após alta do petróleo; PIB é mantido em 2,3% e dólar médio cai para R$ 5,32.

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Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

14/03/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

A volatilidade do petróleo no mercado internacional, em meio às tensões no Oriente Médio, levou o Ministério da Fazenda a aumentar a projeção de inflação para 2026. Assim, a Secretaria de Política Econômica (SPE) passou a estimar que o IPCA fecha o próximo ano em 3,7%, acima dos 3,6% previstos anteriormente, segundo atualização divulgada na última sexta-feira (13).

Ao mesmo tempo, a equipe econômica manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,3% para 2026. Dessa forma, o governo reforça que o choque de preços pressiona a inflação, porém não altera, por ora, o cenário central de atividade.

Petróleo sobe na grade e, por isso, pressiona custos de combustíveis

A SPE elevou a estimativa do preço médio do petróleo para US$ 73,09 por barril em 2026, contra US$ 65,97 na projeção anterior alta de cerca de 10,8%. Com isso, o ministério passou a trabalhar com custos maiores para combustíveis no mercado doméstico.

Além disso, a SPE considerou que parte do aumento nas refinarias chega ao consumidor final. Segundo o estudo, o cálculo admite repasse entre 20% e 30% do preço praticado pelas distribuidoras para o valor na bomba. Ainda assim, o governo avalia que outros fatores podem limitar a transmissão do choque, especialmente quando o câmbio atua a favor.

Inflação sobe no IPCA e, além disso, outros índices também avançam

Com a nova grade, o IPCA de 2026 subiu para 3,7%. Paralelamente, outros indicadores também ganharam ajustes:

  • INPC: passou de 3,7% para 3,8%;
  • IGP-DI: avançou de 4,6% para 4,9%.

Segundo a SPE, o IGP-DI reage mais ao petróleo porque inclui itens do atacado, como derivados, insumos e produtos ligados à indústria extrativa. Ou seja, ele tende a captar o choque com mais intensidade e, portanto, reforça o sinal de pressão de custos.

Além disso, o documento registrou parâmetros usados nas simulações:

  • cada alta de 1% no petróleo pode elevar o IPCA em 0,02 ponto percentual;
  • cada apreciação de 1% do real frente ao dólar pode reduzir a inflação em 0,06 ponto percentual.

Dólar cai na projeção e, portanto, ajuda a amortecer a pressão

Enquanto o petróleo subiu na grade, a SPE reduziu a estimativa da cotação média do dólar em 2026, de R$ 5,43 para R$ 5,32. Assim, o câmbio mais apreciado entra no cenário como um fator de compensação parcial, porque reduz custos de itens importados e, além disso, limita pressões em cadeias que dependem de preços dolarizados.

PIB fica em 2,3% e, ao mesmo tempo, o governo aponta efeitos mistos do choque

Apesar da pressão inflacionária, a Fazenda manteve o PIB de 2026 em 2,3%. Segundo a SPE, a alta do petróleo não atinge apenas o consumo: ela também pode estimular a atividade econômica, já que o Brasil se consolidou como exportador líquido de petróleo e derivados.

Dessa forma, a valorização da commodity pode:

  • ampliar o superávit comercial;
  • elevar a arrecadação com royalties e tributos do setor;
  • impulsionar a atividade extrativa e segmentos associados.

Projeções por setor seguem estáveis, com pequenos ajustes

A SPE manteve as estimativas setoriais em:

  • Agropecuária: +1,2%
  • Indústria: +2,2%
  • Serviços: +2,4%

Além disso, o ministério observou que a indústria ficou abaixo do esperado em 2025 e, por isso, reduziu o “carregamento estatístico” para 2026, o que ajuda a explicar a manutenção do número.

Cenários alternativos apontam mais PIB, porém inflação maior

A nota técnica também trouxe cenários mais severos, caso o conflito no Oriente Médio se intensifique e afete a oferta global de petróleo. No cenário mais extremo, a SPE estimou:

  • PIB: até +0,36 ponto percentual;
  • inflação: até +0,58 ponto percentual;
  • arrecadação federal: até +R$ 96,6 bilhões.

Ou seja, o choque pode até reforçar a atividade e a receita pública, porém tende a elevar a inflação.

Medidas para combustíveis ficam fora do cálculo, por enquanto

Por fim, a SPE informou que a grade não incorpora as medidas anunciadas pelo governo para reduzir impactos sobre combustíveis, como a desoneração de PIS/Cofins no diesel, a subvenção por litro e a proposta de imposto sobre exportação de petróleo. Assim, o cenário divulgado reflete apenas o ajuste das variáveis externas e de câmbio, sem o efeito direto das ações de mitigação.

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