PMI DA INDÚSTRIA SOBE EM MARÇO, MAS GUERRA ELEVA CUSTO DOS INSUMOS NO BRASIL
Embora a contração do setor tenha perdido força, a alta do petróleo e a guerra no Oriente Médio pressionaram os custos e levaram fábricas a reajustar preços.
Foto: Reprodução / Internet
A indústria brasileira continuou em contração em março, mas mostrou um ritmo de queda mais brando. O Índice de Gerentes de Compras, o PMI industrial do Brasil, subiu de 47,3 em fevereiro para 49,0 em março. Ainda assim, como o indicador permaneceu abaixo de 50, o setor completou 11 meses seguidos de retração. Por outro lado, esse foi o menor ritmo de contração desde maio de 2025.
Além disso, o principal sinal de alerta veio do lado dos custos. Segundo a S&P Global, a inflação dos insumos atingiu o maior nível em 18 meses. As empresas associaram essa pressão, sobretudo, à guerra no Oriente Médio e à alta dos preços internacionais do petróleo. Como consequência, os fabricantes voltaram a elevar os preços de venda em março para tentar proteger as margens de lucro.
Guerra e petróleo pressionam a indústria
De acordo com a S&P Global, a escalada dos custos ganhou força justamente no momento em que o Banco Central iniciou o afrouxamento monetário. A diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence, Pollyanna De Lima, afirmou que a alta do petróleo e a guerra em curso elevaram as pressões sobre custos ao maior nível desde setembro de 2024. Ela também alertou que os clientes devem sentir esse impacto rapidamente, já que os fabricantes aceleraram os reajustes para preservar a rentabilidade.
Com isso, o cenário para a demanda segue delicado. A avaliação da S&P é que o repasse de custos pode enfraquecer ainda mais as encomendas, principalmente porque as empresas já relatam orçamento apertado dos clientes e poder de compra limitado do consumidor final.
Contração perde força, mas setor segue abaixo de 50
Apesar da pressão inflacionária, a leitura de março trouxe algum alívio na margem. O PMI subiu para 49,0 e, assim, mostrou melhora frente aos 47,3 de fevereiro. Ainda assim, o índice ficou abaixo da linha de neutralidade de 50 pontos. Na prática, isso significa que a indústria ainda encolhe, embora em velocidade menor.
Além disso, a produção industrial também caiu em março, mas registrou a retração mais suave desde outubro passado. Parte das empresas informou que a recomposição de estoques ajudou a sustentar a atividade em algumas plantas. Ao mesmo tempo, a própria guerra levou companhias a reforçarem estoques de contingência, numa tentativa de se proteger contra novas interrupções.
Exportações ajudam a reduzir perdas
Outro ponto que ajudou a evitar uma piora maior foi o desempenho externo. Segundo a pesquisa, os novos pedidos continuaram em queda, mas o ritmo de retração foi o mais fraco desde dezembro. Além disso, depois de 11 meses de recuo, as encomendas externas ficaram praticamente estáveis em março.
Nesse contexto, a S&P apontou sinais tímidos de recuperação nas vendas internacionais. Algumas empresas disseram ter conseguido acessar novos mercados por causa das tarifas dos Estados Unidos. Por outro lado, o levantamento também registrou menções a queda das vendas para Argentina e China. Portanto, o comércio exterior ajudou, mas ainda não resolveu por completo a fraqueza da demanda.
Emprego cresce, mas confiança cai
Mesmo com a atividade ainda no vermelho, o emprego industrial aumentou pelo segundo mês seguido. Segundo a pesquisa, as empresas ligaram esse movimento, principalmente, às estratégias de formação de estoques. Dessa forma, o mercado de trabalho nas fábricas mostrou alguma resiliência no curto prazo.
Ainda assim, a confiança empresarial perdeu força. O nível de otimismo com a produção futura caiu para o menor patamar em 11 meses. Entre os fatores citados pelas companhias estão a concorrência, a guerra no Oriente Médio e também a incerteza em torno das eleições deste ano.
Preços mais altos desafiam recuperação
O quadro desenhado pelo PMI de março mostra uma indústria menos fraca do que a de fevereiro, mas ainda pressionada por choques de custo. De um lado, a estabilidade das exportações e a recomposição de estoques ajudaram a suavizar a contração. De outro, a disparada dos insumos e o repasse aos preços finais aumentam o risco de enfraquecimento da demanda nos próximos meses.
Além disso, o cenário internacional continua no centro das atenções. Reportagem da Reuters mostrou que a pressão sobre custos industriais não ficou restrita ao Brasil e atingiu várias economias em março, com impacto direto da guerra e das disfunções nas cadeias de suprimento. Nesse ambiente, a indústria brasileira tenta desacelerar a queda, mas ainda enfrenta um processo de recuperação frágil.
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