ELEITORADO COM MAIS DE 60 ANOS CRESCE 74% DESDE 2010 E AMPLIA PESO NAS ELEIÇÕES DE 2026

Levantamento da Nexus, com base em dados do TSE, mostra que a chamada geração 60+ já soma 36,2 milhões de eleitores e representa 23,2% do total apto a votar

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Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

15/04/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

O número de brasileiros com 60 anos ou mais aptos a votar cresceu 74% entre 2010 e 2026, segundo levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados com base em informações do Tribunal Superior Eleitoral. Em números absolutos, esse contingente passou de 20,8 milhões para 36,2 milhões de eleitores. No mesmo intervalo, o eleitorado geral avançou 15%, de 135,8 milhões para 156,2 milhões de pessoas aptas.

Com esse avanço, a chamada geração 60+ passou a representar 23,2% do eleitorado brasileiro. Em outras palavras, quase um em cada quatro eleitores do país está nessa faixa etária. O estudo também destaca que esse crescimento ocorreu em ritmo quase cinco vezes superior ao do eleitorado total, o que amplia o peso político desse grupo na disputa eleitoral deste ano.

Grupo cresce mais do que o eleitorado geral

Os dados analisados pela Nexus mostram que o envelhecimento da população já aparece com clareza no cadastro eleitoral. Enquanto o número total de eleitores avançou 15% em 16 anos, o eleitorado com 60 anos ou mais registrou expansão de 74%. Além disso, o levantamento aponta que os números ainda podem crescer até 6 de maio, prazo final para atualização do cadastro eleitoral no TSE.

Segundo o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, o tamanho desse contingente torna o voto da população idosa estrategicamente relevante em um cenário de disputa apertada. De acordo com ele, a geração 60+ pode atuar como “fiel da balança”, sobretudo em eleições polarizadas, como ocorreu em 2022.

Abstenção entre idosos caiu nas últimas eleições

Além de crescer em número, o eleitorado mais velho também mostrou maior engajamento nas urnas. A taxa de abstenção entre pessoas com 60 anos ou mais caiu nas três últimas eleições gerais: foi de 37,1% em 2014, recuou para 36,4% em 2018 e chegou a 34,5% em 2022. Enquanto isso, a abstenção geral do eleitorado brasileiro subiu levemente, de 19,4% para 20,9% no mesmo período.

No grupo de 60 a 69 anos, em que o voto ainda é obrigatório, o comparecimento chegou a 85,7% em 2022, acima da média nacional de 79,1%. Já entre os eleitores com 70 anos ou mais, para quem o voto é facultativo, a abstenção também caiu: passou de 63,6% em 2014 para 58,9% em 2022.

Voto facultativo ganha peso dentro da geração 60+

O estudo aponta ainda que 45,5% do eleitorado 60+ já tem 70 anos ou mais. Isso significa que cerca de 16,5 milhões de eleitores desse grupo estão em uma faixa etária em que o voto é facultativo. Dessa forma, além de numeroso, esse segmento exige estratégias específicas de mobilização por parte das campanhas.

Na avaliação da Nexus, o comportamento desse eleitor costuma estar mais associado à convicção ou à identificação política. Por isso, a participação dos maiores de 70 anos pode ganhar importância adicional em disputas equilibradas.

Sul e Sudeste concentram maior proporção de eleitores idosos

A presença do eleitorado 60+ não se distribui de forma igual no país. As regiões Sul e Sudeste concentram as maiores proporções. O Rio Grande do Sul lidera, com 29,3% do eleitorado composto por pessoas com 60 anos ou mais. Em seguida aparecem Rio de Janeiro, com 28%, e Minas Gerais, com 26%.

Nos maiores colégios eleitorais do país, o peso desse público também é expressivo. Em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os eleitores com mais de 60 anos já somam cerca de 16 milhões de pessoas. Em contraste, estados da região Norte, como Amapá, Amazonas e Roraima, registram percentuais próximos de 15%, os menores do país.

Crescimento também aparece entre candidatos

O envelhecimento do eleitorado vem sendo acompanhado por aumento no número de candidatos mais velhos. Segundo o levantamento, nas eleições municipais de 2024 mais de 70 mil brasileiros com 60 anos ou mais concorreram a cargos públicos, o equivalente a 15% do total de candidaturas. Trata-se do maior número da série histórica.

Já nas eleições gerais de 2022, o país registrou 4.873 candidaturas de pessoas com 60 anos ou mais, o que correspondeu a 17% do total naquele pleito.

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