SUPERÁVIT COMERCIAL DA UNIÃO EUROPEIA DESPENCA EM FEVEREIRO COM QUEDA FORTE DAS EXPORTAÇÕES PARA OS EUA

Saldo positivo do bloco encolheu 60% na comparação anual, enquanto as vendas para o mercado americano recuaram 26,4% sob impacto das tarifas

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Foto: Reprodução / Internet

18/04/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

O superávit comercial da União Europeia caiu 60% em fevereiro de 2026, pressionado principalmente pela forte retração das exportações para os Estados Unidos. Segundo dados divulgados pela Eurostat, o bloco registrou saldo positivo de € 9,1 bilhões no comércio de bens com o resto do mundo, bem abaixo dos € 22,9 bilhões registrados em fevereiro de 2025.

Além disso, as exportações totais da União Europeia recuaram 9,3% na comparação anual, somando € 204,7 bilhões. Ao mesmo tempo, as importações caíram 3,5%, para € 195,7 bilhões. Dessa forma, o encolhimento do superávit refletiu uma perda mais intensa do lado das vendas externas do que das compras feitas pelo bloco.

Exportações para os Estados Unidos lideraram a queda

A maior retração veio justamente nas vendas para os Estados Unidos. Em fevereiro, as exportações da União Europeia para o mercado americano despencaram 26,4%, enquanto as importações vindas dos EUA recuaram 3,2%. Além disso, as exportações europeias para a China também diminuíram no mesmo período.

Segundo a Reuters, as tarifas americanas de 15% sobre produtos europeus pesaram diretamente sobre esse resultado. Ao mesmo tempo, a base de comparação também influenciou os números, já que, no início de 2025, exportadores da UE aceleraram embarques para os Estados Unidos para tentar antecipar vendas antes do endurecimento tarifário.

Efeito de antecipação distorce comparação anual

A forte queda de fevereiro aparece depois de um movimento inverso registrado um ano antes. Em fevereiro de 2025, as exportações da União Europeia para os Estados Unidos haviam subido 22,4% na comparação anual, justamente por causa desse adiantamento de embarques. Portanto, parte da retração observada agora também reflete um efeito estatístico de base elevada.

Mesmo assim, economistas ouvidos pela Reuters avaliam que a queda não se explica apenas por essa distorção. Isso porque o ambiente comercial entre União Europeia e Estados Unidos continuou mais duro ao longo do período, especialmente em setores industriais mais sensíveis às tarifas.

Zona do euro também registrou perda de fôlego

Separadamente, a zona do euro também mostrou enfraquecimento em fevereiro. A Eurostat informou que o bloco da moeda única teve superávit comercial ajustado sazonalmente de € 7 bilhões, abaixo dos € 12,8 bilhões registrados em janeiro. Além disso, no dado sem ajuste, o superávit ficou em € 11,5 bilhões, cerca de metade dos € 23,1 bilhões observados em fevereiro de 2025.

Na comparação mensal com ajuste sazonal, as exportações da zona do euro subiram 0,9%, enquanto as importações cresceram 3,5%. Assim, o resultado também mostrou pressão adicional do lado das compras externas.

Tarifas seguem no centro da tensão comercial

O pano de fundo desse movimento continua sendo a disputa tarifária entre Estados Unidos e parceiros comerciais. A Reuters informou que, embora a Suprema Corte dos EUA tenha derrubado, em fevereiro de 2026, as tarifas amplas adotadas por Donald Trump com base em poderes de emergência, Washington implementou poucos dias depois uma nova taxa global temporária de importação e passou a reestruturar o sistema para reproduzir tarifas negociadas anteriormente com a União Europeia.

Além disso, a política tarifária americana já vem provocando reações dentro da própria Europa. Nesta semana, por exemplo, a UE avançou em medidas para restringir importações de aço e reforçar a proteção da indústria local diante do ambiente mais hostil no comércio internacional.

Pressão comercial amplia incerteza na economia europeia

A perda de força do comércio exterior amplia os sinais de fragilidade em uma economia europeia que já vinha convivendo com demanda fraca, custos elevados e incerteza global. Segundo estimativa citada pela Reuters, as tarifas americanas podem reduzir o PIB da zona do euro em 0,3% em 2026.

Com isso, o recuo do superávit comercial em fevereiro não aparece como um dado isolado. Pelo contrário, ele reforça a percepção de que as tensões tarifárias com os Estados Unidos já atingem o fluxo de exportações europeias e, ao mesmo tempo, complicam o cenário econômico do bloco.

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