NOVO DESENROLA, MENOS IMPOSTO E REDUÇÃO DA JORNADA: A “PICANHA E CERVEJA” DA VEZ

Pacote de medidas do governo é visto como uma nova aposta para conquistar apoio popular em meio ao aumento das dívidas e às promessas de alívio financeiro aos brasileiros.

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Ricardo Stuckert / PR

04/05/2026 ◦ Por: Fábio Sousa

O primeiro Desenrola não foi lá essas coisas, mas agora a ideia é melhorar a vida dos brasileiros que estão devendo muito. Estamos batendo recorde de dívidas. Quase 50% da renda dos brasileiros está indo para o pagamento delas.

Os mais pobres pagam aquelas dívidas das quais não podem fugir: ficaram adoentados, precisaram pagar tratamento e outras necessidades básicas. Não tem como escapar disso.

Já a classe média acumula dívidas de cartão de crédito, financiamentos e outras despesas. Soma-se tudo isso e o resultado é um recorde de pessoas endividadas no Brasil.

Dito isso, o governo vai, entre outras coisas, possibilitar que o brasileiro use dinheiro emprestado para pagar as próprias dívidas.

Mas o que mais aguça essa discussão é a forma como tudo isso vem sendo transformado em discurso eleitoral, sem trazer benefício direto ou solução definitiva para ninguém.

E aí vai ter gente dizendo: “Pô, o governo é bom, né? Me deu um dinheirinho para pagar minha dívida, não vou pagar mais Imposto de Renda porque ganho até cinco mil reais por mês e, por fim, ainda está anunciando que vai diminuir o meu trabalho. Vou trabalhar menos e continuar ganhando o mesmo tanto.”

O governo entrou com tudo para aprovar a redução da jornada de trabalho de 6 por 1 para 5 por 2. A promessa é reduzir a jornada sem redução salarial. Uma ideia que, na prática, parece impensável.

Enquanto isso, muita gente começa a acreditar que vai trabalhar menos, ganhar o mesmo, deixar de pagar Imposto de Renda e ainda conseguir empréstimo facilitado para quitar dívidas.

Mas a realidade pode ser outra. O trabalhador talvez pague impostos de outras formas. A promessa de trabalhar menos e ganhar o mesmo pode não se sustentar. E o que pode acontecer, em alguns casos, é justamente a perda de empregos.

No fim das contas, esse pacote de anúncios acaba sendo vendido como a “picanha e cerveja” do momento.

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