IGP-10 DESACELERA E SOBE 0,89% EM MAIO, APONTA FGV

Indicador ficou abaixo do esperado pelo mercado após perda de ritmo no atacado e queda em itens como minério de ferro, café, suínos e cana-de-açúcar

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Foto: Reprodução / Internet

19/05/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) subiu 0,89% em maio, segundo dados divulgados na segunda-feira (18) pela Fundação Getulio Vargas. Apesar da alta, o indicador desacelerou em relação a abril, quando havia avançado 2,94%. Além disso, o resultado ficou abaixo da expectativa de mercado, que projetava alta de 1,11%.

Com o novo resultado, o IGP-10 acumula alta de 3,48% no ano e avanço de 1,46% em 12 meses. Em maio de 2025, o índice havia registrado queda de 0,01% e acumulava alta de 7,54% em 12 meses.

Atacado perde força e puxa desaceleração

O principal fator para a desaceleração veio do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10), que mede os preços no atacado e tem maior peso no cálculo do IGP-10. Em maio, o IPA subiu 0,95%, depois de avançar 3,81% em abril.

Segundo a FGV, as matérias-primas brutas perderam força de forma significativa. A taxa desse grupo passou de 7,01% em abril para 0,06% em maio. Portanto, a desaceleração no atacado teve papel decisivo no resultado geral do indicador.

Entre os itens que ajudaram a conter a alta, aparecem minério de ferro, com queda de 4,67%, além de álcool etílico anidro, cana-de-açúcar, café em grão e suínos, que também registraram recuos expressivos no mês.

IPC também desacelera em maio

Além do atacado, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10) também perdeu ritmo. O indicador subiu 0,68% em maio, contra alta de 0,88% em abril.

Entre as oito classes de despesa pesquisadas, cinco desaceleraram. Transportes passou de 2,31% para 0,29%. Alimentação saiu de 1,41% para 1,22%. Já Despesas Diversas caiu de 1,10% para 0,47%, enquanto Vestuário passou de 0,40% para -0,07%.

Por outro lado, alguns grupos avançaram. Saúde e Cuidados Pessoais subiu de 0,31% para 1,00%. Habitação também acelerou, passando de 0,35% para 0,71%. Além disso, Educação, Leitura e Recreação saiu de queda de 0,60% para alta de 0,38%.

Leite longa vida pressiona consumidor

Mesmo com a desaceleração do IPC, alguns itens ainda pressionaram o bolso do consumidor. O principal destaque foi o leite longa vida, que subiu 13,85% e liderou os impactos de alta no varejo.

Além disso, também pesaram no índice a tarifa de eletricidade residencial, a gasolina, o gás de botijão e itens de higiene e cuidados pessoais. Dessa forma, a queda em alguns alimentos e combustíveis não eliminou completamente as pressões sobre o consumidor.

Na direção oposta, alguns preços ajudaram a aliviar o indicador. Entre eles, aparecem café em pó, etanol, maçã, tarifa de ônibus urbano e aparelho telefônico celular.

Construção tem leve desaceleração

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10) subiu 0,86% em maio, pouco abaixo da alta de 0,88% registrada em abril.

Dentro do indicador, os grupos tiveram comportamentos diferentes. Materiais e Equipamentos acelerou de 0,98% para 1,29%. No entanto, Serviços desacelerou de 0,83% para 0,59%, enquanto Mão de Obra perdeu força de 0,77% para 0,36%.

Como o IGP-10 é calculado

O IGP-10 mede a variação de preços ao produtor, ao consumidor e na construção civil. O levantamento considera o período entre o dia 11 do mês anterior e o dia 10 do mês de referência.

Além disso, o índice combina três componentes. O IPA-10 tem peso de cerca de 60%. Já o IPC-10 responde por aproximadamente 30%. Por fim, o INCC-10 representa cerca de 10% do indicador geral.

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