EL NIÑO DEVE SE INTENSIFICAR ATÉ SETEMBRO E SERÁ FORTE, DIZ AGÊNCIA DA ONU

Organização Meteorológica Mundial alerta para aumento do risco de ondas de calor, secas e chuvas intensas em várias regiões do mundo

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Foto: Reprodução / Internet

03/07/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

A Organização Meteorológica Mundial, agência da ONU para o clima, informou que o El Niño deve se intensificar rapidamente até setembro e atingir um nível forte.

Segundo a entidade, já existem condições características do fenômeno no Pacífico Tropical. Além disso, as previsões dos principais centros meteorológicos indicam aquecimento significativo das águas no centro e no leste do Pacífico Equatorial.

A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, afirmou que o cenário aumenta o risco de eventos extremos em diferentes regiões do planeta.

“Isso aumentará a probabilidade de secas e chuvas intensas, assim como o risco de ondas de calor terrestres e marinhas em muitas regiões do mundo”, disse.

Fenômeno pode elevar temperaturas globais

Além de alterar o padrão de chuvas, o El Niño também deve dar um impulso adicional às temperaturas globais.

Segundo Álvaro Silva, cientista da OMM, anos sob influência do fenômeno costumam registrar temperaturas mais elevadas e, em alguns casos, recordes de calor.

“O El Niño também dará um impulso extra às temperaturas globais. Sabemos que, durante os anos de El Niño, as temperaturas globais normalmente atingem níveis recordes”, afirmou.

Ainda de acordo com o cientista, os impactos devem ser sentidos em diferentes regiões até o fim deste ano. Além disso, parte dos efeitos pode se estender até 2027.

O que é o El Niño

O El Niño ocorre quando as águas do Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que a média, especialmente na região central e leste do oceano.

Ao mesmo tempo, há enfraquecimento dos ventos alísios, que normalmente empurram as águas quentes em direção ao oeste do Pacífico.

Com isso, a água aquecida se desloca e altera padrões atmosféricos. Dessa forma, o fenômeno pode influenciar chuvas, secas, temperaturas e eventos extremos em várias partes do mundo.

Em geral, o El Niño dura de nove a doze meses. Normalmente, começa a se desenvolver entre o fim do inverno e a primavera do Hemisfério Sul, atinge o pico entre novembro e janeiro e perde força nos meses seguintes.

OMM aponta alto grau de confiança

O boletim da OMM indica que o fenômeno deve evoluir rapidamente entre julho e setembro.

Segundo a agência, as anomalias médias da temperatura da superfície do mar devem ultrapassar 2°C em áreas importantes de monitoramento do Pacífico Equatorial.

Além disso, como os modelos de previsão dos principais centros climáticos apontam para o mesmo cenário, a OMM considera elevado o grau de confiança nas projeções.

A agência também informou que o El Niño deve continuar ganhando força entre setembro e novembro.

Chuvas devem mudar em várias regiões

A previsão da OMM aponta maior probabilidade de chuvas acima da média no centro e no leste do Pacífico Equatorial.

Por outro lado, o boletim indica precipitações abaixo do normal em áreas do Oceano Índico Tropical, do subcontinente indiano e em grande parte da Austrália.

Além disso, o Caribe, o noroeste da América do Sul e algumas regiões da América Central também podem registrar chuvas abaixo da média.

Enquanto isso, o sudoeste dos Estados Unidos deve ter condições mais úmidas do que o habitual.

Na Europa, a previsão mostra um contraste entre norte e sul. Assim, o sul europeu tem maior probabilidade de chuvas acima da média, enquanto o norte deve registrar precipitações menores. No entanto, a OMM considera as previsões para o continente menos confiáveis do que para outras regiões.

ONU intensifica ações de preparação

A Organização Meteorológica Mundial informou que iniciou uma mobilização para apoiar governos, organizações humanitárias e setores sensíveis ao clima.

Entre as áreas de atenção estão agricultura, saúde, defesa civil e proteção de populações vulneráveis.

Além disso, a agência defende o uso de previsões sazonais e sistemas de alerta precoce para reduzir impactos sobre comunidades e economias.

A OMM também realiza reuniões técnicas e eventos online para fortalecer a coordenação regional e a comunicação sobre os riscos associados ao El Niño.

Eventos variam conforme intensidade e região

A OMM destaca que os efeitos do El Niño variam de acordo com a intensidade, a duração e o período do ano em que o fenômeno se desenvolve.

Além disso, nem todas as regiões são afetadas da mesma forma. Mesmo dentro de uma mesma área, os impactos podem variar.

A agência classifica os eventos de El Niño como fracos, moderados, fortes e muito fortes. O termo “super El Niño”, porém, não faz parte da classificação operacional oficial da organização.

Segundo o boletim, há probabilidade elevada de temperaturas acima da média na maior parte das áreas continentais entre 60°S e 60°N, faixa que abrange praticamente todas as regiões habitadas fora das zonas polares.

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