EUA E ARÁBIA SAUDITA FIRMAM ACORDO DE ENERGIA NUCLEAR
Parceria autoriza enriquecimento de urânio e construção de reatores; texto ainda depende da análise do Congresso norte-americano
📷: Reprodução/internet
Os Estados Unidos e a Arábia Saudita oficializaram um acordo de cooperação na área de energia nuclear para fins civis. A parceria permite que o país árabe enriqueça urânio e desenvolva reatores nucleares com tecnologia norte-americana.
O entendimento foi firmado pelo secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, e pelo ministro da Energia da Arábia Saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman. Conhecido como Acordo 123, o documento estabelece as regras da cooperação entre os dois países e seguirá para avaliação do Congresso norte-americano.
Uma das principais diferenças em relação às negociações conduzidas no governo de Joe Biden é que o novo acordo não obriga a Arábia Saudita a aderir ao Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), mecanismo que autoriza inspeções surpresa em instalações nucleares não declaradas.
Atualmente, o programa nuclear saudita já é acompanhado pela Aiea por meio de salvaguardas convencionais, que monitoram as instalações oficialmente registradas. No entanto, especialistas alertam que a ausência de mecanismos mais rigorosos de fiscalização pode aumentar as preocupações sobre a proliferação de armas nucleares na região.
Além da construção de reatores, o acordo autoriza o enriquecimento de urânio e o reprocessamento de combustível nuclear usado. Embora essas atividades sejam voltadas à produção de energia, elas também podem ser utilizadas para obtenção de material empregado na fabricação de armamentos nucleares.
As negociações para um acordo desse tipo entre Washington e Riad se estendem há vários anos e passaram tanto pelo primeiro governo de Donald Trump quanto pela administração de Joe Biden. A Arábia Saudita já havia sinalizado que poderia recorrer à China ou à Rússia para desenvolver seu programa nuclear caso não alcançasse um entendimento com os Estados Unidos.
Segundo o Departamento de Energia dos EUA, o acordo atende às exigências da legislação norte-americana sobre não proliferação nuclear. Agora, o texto será submetido ao Congresso, que terá 90 dias de sessão para decidir se aprova ou rejeita a medida.
A iniciativa recebeu críticas de organizações especializadas em controle de armas. Para representantes da Associação de Controle de Armas, flexibilizar as exigências de fiscalização internacional pode aumentar os riscos de expansão de programas nucleares no Oriente Médio.
Com validade prevista de aproximadamente 30 anos, o acordo inclui a construção de reatores do modelo AP1000 e pode movimentar investimentos de dezenas de bilhões de dólares, favorecendo a empresa Westinghouse.