PIB DO BRASIL CRESCE 0,5% NO 2º TRIMESTRE, PUXADO PELA AGROPECUÁRIA

Economia desacelera após alta de 1,1% no início do ano; agro cresce 2,8%, enquanto consumo das famílias recua 0,4%

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Foto: Reprodução / Internet

02/09/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três primeiros meses do ano, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE.

O resultado representa uma desaceleração depois da expansão de 1,1% registrada no primeiro trimestre. Ainda assim, na comparação com o período entre abril e junho de 2025, o Produto Interno Bruto avançou 2%.

Em valores correntes, o PIB brasileiro somou R$ 3,4 trilhões no segundo trimestre.

O principal destaque veio da agropecuária, que cresceu 2,8%. Enquanto isso, os serviços avançaram 0,2%, e a indústria teve alta de apenas 0,1%.

“O crescimento da Agropecuária foi o principal destaque do trimestre. Os Serviços e a Indústria também cresceram, mas em ritmo mais moderado”, afirmou o coordenador de Contas Nacionais do IBGE, Ricardo Montes de Moraes.

Agropecuária cresce 2,8%

A agropecuária apresentou o melhor desempenho entre os grandes setores da economia.

Em relação ao primeiro trimestre, o segmento cresceu 2,8%. Já na comparação com o mesmo período de 2025, a alta chegou a 6,8%.

Segundo o IBGE, o avanço anual recebeu influência da pecuária e de culturas que registraram crescimento da produção e da produtividade.

Entre os destaques, a produção de café aumentou 15,1%, enquanto a soja avançou 5,3%. Por outro lado, o arroz caiu 11,3%, e o algodão recuou 7%. A produção de milho permaneceu estável.

Consumo das famílias cai 0,4%

Pelo lado da demanda, o principal resultado negativo veio do consumo das famílias, que recuou 0,4% em relação ao primeiro trimestre.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, entretanto, o consumo ainda apresentou crescimento de 0,5%.

A queda ocorreu apesar do mercado de trabalho aquecido e do avanço da massa salarial. No entanto, o IBGE afirma que os dados do PIB não permitem apontar isoladamente as causas da retração.

“A gente não deve fazer uma associação direta entre o aumento da massa de salários e o aumento do consumo na mesma medida”, explicou Ricardo Montes de Moraes.

Além disso, juros elevados e maior comprometimento da renda com dívidas aparecem entre os fatores acompanhados por economistas para explicar a perda de força da demanda interna.

Investimentos crescem 1,2%

Os investimentos produtivos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo, cresceram 1,2% no segundo trimestre.

Apesar da alta, o ritmo diminuiu em relação aos três primeiros meses do ano, quando os investimentos haviam avançado 3,4%.

Já o consumo do governo aumentou 0,4%.

No setor externo, as exportações recuaram 0,8%, enquanto as importações cresceram 1,8% na comparação com o primeiro trimestre.

Petróleo sustenta crescimento da indústria

A indústria registrou alta de apenas 0,1% no trimestre. Entretanto, o desempenho positivo ocorreu principalmente por causa das indústrias extrativas.

Esse segmento cresceu 3,4% entre abril e junho. Além disso, na comparação anual, a alta chegou a 12%, impulsionada principalmente pela extração de petróleo e gás.

Por outro lado, a indústria de transformação caiu 0,4% diante do primeiro trimestre.

A construção também recuou 0,4%, enquanto o segmento de eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos apresentou queda de 1,1%.

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, porém, a construção cresceu 1%.

Serviços avançam 0,2%

O setor de serviços, que representa a maior parcela da economia brasileira, cresceu 0,2% no segundo trimestre.

Informação e comunicação liderou o avanço, com alta de 2,1%. Em seguida, transporte, armazenagem e correio cresceu 1,1%, enquanto as atividades imobiliárias avançaram 0,2%.

Já o comércio permaneceu estável.

Por outro lado, administração pública, defesa, saúde, educação e seguridade social recuaram 0,4%. As atividades financeiras e de seguros caíram 0,3%.

Na comparação anual, os serviços cresceram 1,5%. Nesse recorte, informação e comunicação novamente se destacou, com expansão de 8,4%.

Economia cresce 1,9% no primeiro semestre

No acumulado dos seis primeiros meses de 2026, o PIB brasileiro cresceu 1,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A agropecuária avançou 3,6%, enquanto os serviços cresceram 1,8% e a indústria, 1,6%.

Entre os segmentos, as indústrias extrativas tiveram alta de 12,5%, e informação e comunicação avançou 8%.

Pelo lado da demanda, o consumo das famílias cresceu 1,1% no semestre, enquanto o consumo do governo aumentou 2,9%. Já os investimentos ficaram estáveis.

Além disso, as exportações avançaram 5,5%, enquanto as importações cresceram 3,4%.

PIB perde ritmo no acumulado em 12 meses

Os números também mostram uma perda gradual de ritmo da atividade econômica.

No acumulado de quatro trimestres até junho, o PIB cresceu 1,9%. Um ano antes, esse indicador registrava expansão de 3,3%.

A desaceleração ocorreu de forma consecutiva: o crescimento acumulado em quatro trimestres passou de 3,3% no segundo trimestre de 2025 para 2,7% no trimestre seguinte, 2,3% no fim daquele ano, 2% no primeiro trimestre de 2026 e, agora, 1,9%.

Mesmo com a desaceleração, a economia brasileira encerrou o segundo trimestre com crescimento de 0,5% e PIB de R$ 3,4 trilhões, sustentado principalmente pela agropecuária e pela indústria extrativa.

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