INSTAGRAM ADOTA NOVAS REGRAS DE PROTEÇÃO PARA ADOLESCENTES NO BRASIL

Os jovens estão mais interconectados do que nunca e, com o rápido avanço da tecnologia, surgem questões cada vez mais urgentes sobre sua saúde mental e segurança no ambiente digital.

14/02/2025 ◦ Por: Ediana Pimenta

Novas medidas de segurança para jovens nas redes sociais entram em vigor. Pais terão mais controle sobre os aplicativos dos filhos




Reprodução: Internet

Os jovens estão mais interconectados do que nunca e, com o rápido avanço da tecnologia, surgem questões cada vez mais urgentes sobre sua saúde mental e segurança no ambiente digital. O grande desafio é equilibrar liberdade e proteção online. Para lidar com essas preocupações, a Meta anunciou novas restrições para perfis de adolescentes no Instagram, que entraram em vigor nesta semana.

O Brasil, entre os países com maior uso de redes sociais, torna essas alterações particularmente significativas para pais que buscam maior controle sobre o acesso de seus filhos. A partir de agora, a “Conta de Adolescente” será aplicada a usuários de 13 a 17 anos, com restrições sobre quem pode interagir com esses perfis. Além disso, adolescentes de 16 anos precisarão da permissão dos pais para modificar suas configurações de privacidade.

Novas Diretrizes para a Conta de Adolescente

  • As contas serão configuradas automaticamente como privadas;
  • Somente seguidores aprovados poderão visualizar as publicações;
  • Apenas pessoas que o adolescente seguir poderão marcá-lo ou mencioná-lo;
  • Para menores de 16 anos, as restrições serão ainda mais rigorosas;
  • Pais poderão ativar a supervisão parental para monitorar a experiência digital dos filhos.

Aprimoramento da Supervisão Parental
A Meta também melhorou os recursos de supervisão, permitindo:

  • Monitoramento de contatos: embora os pais não tenham acesso ao conteúdo das mensagens, poderão ver com quem seus filhos interagiram nos últimos sete dias;
  • Definição de tempo de uso: os responsáveis podem estabelecer um limite diário de uso do Instagram, tornando o aplicativo inacessível após o tempo estipulado;
  • Bloqueio em horários específicos: será possível restringir o uso da plataforma durante determinados períodos, como à noite ou durante a aula.

O Desafio do Controle Digital
As mudanças ocorrem em um contexto onde os adolescentes usam vários aplicativos ao longo da semana, dificultando o controle dos pais sobre o conteúdo consumido. No Brasil, mais de dois terços dos responsáveis por jovens entre 13 e 17 anos não utilizam ferramentas para limitar o download de aplicativos, conforme estudo recente da TIC Kids Online.

A Meta defende que as lojas de aplicativos deveriam verificar a idade dos usuários e exigir permissão dos pais para downloads realizados por menores de 16 anos. A empresa tem pressionado legisladores para criar padrões globais de segurança digital, aliviando a responsabilidade dos pais e aumentando a proteção infantil na internet.

Acusações contra a Meta
Apesar dessas medidas, a Meta enfrenta processos em mais de 40 estados dos EUA, incluindo a Califórnia. A empresa foi acusada de prejudicar a saúde mental de crianças, ao usar mecanismos que incentivam a dependência de redes sociais como Instagram e Facebook. A situação se intensificou após o vazamento de um estudo interno do Instagram, revelado pela ex-funcionária Frances Haugen, que indicava que a plataforma agravava problemas de autoimagem nos adolescentes. O incidente, que se tornou conhecido como “Facebook Papers”, gerou um debate sobre a necessidade de regulamentação das redes sociais para menores.

Mudanças no YouTube
Além das medidas da Meta, o YouTube também implementou novas regras para proteger os adolescentes. Entre as principais alterações estão:

  • Lembretes de pausa: após 60 minutos de uso, os usuários recebem notificações para fazer uma pausa;
  • Lembretes de hora de dormir: o YouTube alerta os jovens quando é hora de descansar;
  • Privacidade nos uploads: vídeos enviados por criadores entre 13 e 17 anos serão privados por padrão, sendo necessário alterar as configurações para torná-los públicos;
  • Filtro de conteúdo sensível: o YouTube aprimorou seus mecanismos para evitar a exposição de adolescentes a conteúdos impróprios.

O psicólogo social Jonathan Haidt também discutiu amplamente esses temas em seu livro A Geração Ansiosa, no qual argumenta que o agravamento da saúde mental entre os jovens está intimamente relacionado ao uso excessivo das redes sociais e à diminuição de atividades ao ar livre, sem a presença de adultos.

A segurança digital dos adolescentes continua sendo uma questão crucial, exigindo esforços colaborativos entre empresas de tecnologia, pais e governos para criar um ambiente online mais saudável e equilibrado.

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