EUA REVOGAM VISTOS DE SERVIDORES LIGADOS AO PROGRAMA MAIS MÉDICOS
O governo dos Estados Unidos revogou os vistos de Mozart Júlio Sales, atual secretário do Ministério da Saúde do Brasil, e de Alberto Kleiman, ex-integrante da pasta. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, nesta quarta-feira (14).
Servidores foram criticados por exploração financeira dos médicos cubanos

O governo dos Estados Unidos revogou os vistos de Mozart Júlio Sales, atual secretário do Ministério da Saúde do Brasil, e de Alberto Kleiman, ex-integrante da pasta. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, nesta quarta-feira (14).
De acordo com Rubio, a decisão foi tomada com base na participação dos dois servidores no planejamento e execução do programa Mais Médicos, durante o qual o governo brasileiro contratou profissionais cubanos para atuarem no Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo a justificativa do Departamento de Estado, Mozart e Kleiman teriam utilizado a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) como intermediária nas negociações com o governo cubano. A prática, conforme Rubio, teria violado normas constitucionais brasileiras e contornado sanções dos Estados Unidos impostas à ilha caribenha.
Rubio também afirmou que médicos cubanos participantes do programa foram explorados pelo regime de Havana, que ficava com parte significativa dos salários pagos pelo Brasil. Ainda segundo o secretário, a atuação dos servidores brasileiros teria contribuído para o fortalecimento das finanças do governo cubano.
Durante o governo de Jair Bolsonaro, aliado do ex-presidente norte-americano Donald Trump, o Brasil rompeu com o programa, o que levou Cuba a retirar seus médicos do país ainda antes da posse do então presidente brasileiro.
Dados do Ministério da Saúde apontam que mais de 8 mil médicos cubanos atuaram no Brasil entre 2013 e 2018, especialmente em áreas remotas e de difícil acesso.
Na atual gestão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reativou o programa, desta vez com prioridade para a contratação de médicos brasileiros. Em resposta à decisão dos EUA, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nas redes sociais que o programa Mais Médicos seguirá ativo para atender a população brasileira.