FAIR PLAY FINANCEIRO DA CBF TERÁ TRÊS FISCALIZAÇÕES POR ANO E PRAZO DE ADAPTAÇÃO ATÉ 2030
Sistema começa em 2026, exige registro digital de contratos e impõe limites rígidos para dívidas e gastos com elencos
Foto: Staff Images / CBF
A CBF apresentará oficialmente, na próxima quarta-feira (26), em São Paulo, o novo modelo de Fair Play Financeiro, que passará a valer em 1º de janeiro de 2026. A partir dessa data, os clubes brasileiros iniciarão uma fase de transição que seguirá até 2030, enquanto se ajustam a uma estrutura inédita de controle econômico. Assim, o futebol nacional entra em um ciclo que busca combinar mais transparência, rigor e estabilidade financeira.
Monitoramento em três janelas fixas e integração ao DTMS
Para começar, os clubes precisarão cadastrar todos os contratos de atletas em uma plataforma específica da CBF. Somente depois disso será possível publicar o jogador no BID. Além disso, o novo sistema determinará fiscalizações obrigatórias em três datas fixas ao longo do ano, o que garante acompanhamento constante:
- 31 de março
- 31 de julho
- 30 de novembro
Ao mesmo tempo, a confederação utilizará o DTMS (Domestic Transfer Matching System) como mecanismo de controle contínuo. A ferramenta, adaptada do TMS da Fifa, permitirá acompanhar, em tempo real, contratos, pagamentos de transferências e possíveis pendências financeiras. Dessa forma, a CBF passa a monitorar dívidas entre clubes e débitos com instituições públicas de maneira muito mais rigorosa.
Os quatro pilares que estruturam o modelo
O regulamento foi construído sobre quatro pilares centrais, que orientam o comportamento financeiro dos clubes e organizam o sistema de sustentabilidade:
- 1.Controle de dívidas em atraso, tanto com clubes quanto com funcionários e autoridades públicas.
- 2.Equilíbrio operacional, com o acompanhamento dos resultados financeiros anuais.
- 3.Proporcionalidade entre custos de elenco e capacidade financeira, evitando despesas acima da receita.
- 4.Controle de endividamento de curto prazo, limitando alavancagens arriscadas e assegurando uma base financeira sólida.
Esses pilares, juntos, formam um conjunto de normas que, segundo a CBF, devem profissionalizar de forma definitiva a gestão dos clubes.
Limites de endividamento e gastos com elenco
Além disso, o sistema estabelece metas rígidas. Até 2030, os clubes precisarão ajustar suas dívidas de curto prazo para que não ultrapassem 45% do faturamento anual. Embora alguns clubes tenham pressionado por um prazo maior, de até dez anos, o grupo de trabalho manteve a data original.
Paralelamente, a CBF definiu limites para os gastos com elencos profissionais:
- Série A: até 70% da receita total
- Série B: até 80% da receita total
Esses percentuais abrangem salários, encargos, direitos de imagem e amortizações. Assim, caso o clube ultrapasse o limite, ele automaticamente entrará em monitoramento. Hoje, de acordo com estimativas internas, apenas quatro clubes da Série A cumprem essa exigência — o que indica um desafio imediato para a maioria das equipes.
Dívidas antigas e novas: como será o controle
A partir de janeiro de 2026, todas as dívidas novas passarão por acompanhamento imediato. Já os débitos anteriores poderão ser regularizados até 30 de novembro de 2026, desde que o clube mantenha as parcelas em dia. Dessa forma, a CBF tenta impedir a prática recorrente de atrasos e aumentar a previsibilidade financeira do sistema.
Deficits também entram na análise
Além do monitoramento das dívidas, o Fair Play Financeiro fará uma avaliação anual dos deficits dos clubes. Se o clube fechar seus três últimos exercícios com prejuízo acima do permitido, ele será colocado sob supervisão.
Os limites serão:
- Série A: déficit máximo de R$ 30 milhões ou 2,5% da receita total
- Série B: déficit máximo de R$ 10 milhões ou 2,5% da receita total
Assim, a confederação pretende evitar desequilíbrios repetitivos e exigir maior eficiência na gestão.
Sanções progressivas
Em paralelo às análises, o sistema prevê uma escada de punições crescente. Elas começam brandas, mas podem se tornar extremamente severas:
- Advertência
- Multa
- Retenção de receitas
- Transfer ban
- Perda de pontos
- Rebaixamento
- Cassação de licenças
Com isso, a CBF acredita que a simples possibilidade das sanções deve incentivar os clubes a se ajustarem antes de chegar ao limite.
Processo de construção e participação dos clubes
Todo o processo de elaboração começou em 25 de julho e passou por quatro reuniões entre agosto e novembro. De acordo com a CBF, 77 representantes participaram ativamente das discussões:
- 41% da Série A
- 41% da Série B
- 12% de federações
- 6% de demais membros
Além disso, a confederação afirma que 79% das sugestões enviadas foram incorporadas ao texto final. Os outros 21% ficaram de fora por não se enquadrarem no escopo do regulamento, mas poderão aparecer em discussões futuras.
Fiscalização ganhará um órgão próprio
Por fim, para garantir que todas essas regras sejam cumpridas, a CBF criará um órgão independente de fiscalização, semelhante à CNRD. O grupo será formado por profissionais do mercado e começará a operar logo no início de 2026. Assim, a entidade pretende assegurar que o modelo funcione na prática, com autonomia e rigor técnico.
Com isso, o futebol brasileiro inicia uma das maiores reformas administrativas de sua história recente, aproximando-se de modelos de sucesso da Europa e estruturando uma base mais sólida para as próximas gerações de clubes.
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