ARRECADAÇÃO FEDERAL BATE RECORDE E ATINGE R$ 261,9 BILHÕES EM OUTUBRO
Com avanço do IOF, das bets e do IR sobre investimentos, governo soma R$ 2,4 trilhões no ano e mantém melhor desempenho da história
Foto: Reprodução / Internet
A arrecadação de tributos federais chegou a R$ 261,9 bilhões em outubro, consolidando o maior valor já registrado para esse mês desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995. Além disso, o resultado representa alta real de 0,92% frente a outubro do ano passado.
No acumulado entre janeiro e outubro, as receitas avançaram para R$ 2,4 trilhões, o que significa crescimento real de 3,2% na comparação com o mesmo período de 2024. A Receita Federal destacou que tanto o resultado mensal quanto o acumulado representam desempenho histórico.
As receitas incluem impostos como IRPF, IRPJ, CSLL, IOF, IPI, PIS/Cofins, além de previdenciária, importações, royalties e depósitos judiciais.
IOF dispara, IR sobre investimentos cresce e arrecadação das bets explode
Ao explicar os fatores que impulsionaram o resultado, a Receita apontou que o IOF arrecadou R$ 8,1 bilhões, crescendo 38,8% em relação ao ano passado. Esse aumento ocorreu, sobretudo, após mudanças recentes na legislação que ampliaram a cobrança sobre operações de crédito e movimentações cambiais.
Logo depois, o Imposto de Renda sobre aplicações financeiras também se destacou. A arrecadação chegou a R$ 11,6 bilhões, uma alta real de 28% impulsionada pelos ganhos maiores em renda fixa e em Juros sobre Capital Próprio, reflexo direto da taxa Selic elevada.
Entretanto, o salto mais expressivo veio da tributação das casas de apostas virtuais. Com a regulamentação das bets em 2025, a arrecadação subiu de apenas R$ 11 milhões em outubro de 2024 para R$ 1 bilhão em outubro de 2025, uma expansão próxima de 10.000%. No acumulado do ano, o aumento ultrapassa 16.000%, chegando a R$ 8 bilhões.
Crescimento perde ritmo, mas arrecadação segue resiliente
Apesar dos recordes, a Receita observa que o ritmo de crescimento vem diminuindo mês a mês. Em julho, o avanço real acumulado era de 4,41%, mas caiu para 3,2% em outubro. Mesmo assim, a instituição avalia que alguns pilares da economia, como o setor de serviços e a massa salarial, continuam sustentando o desempenho geral.
O chefe do Centro de Estudos Tributários, Claudemir Malaquias, afirmou que esse comportamento acompanha a desaceleração econômica já prevista por analistas e pelo Ministério da Fazenda. Segundo ele, “a arrecadação cresce, porém em taxas progressivamente menores”.
Selic alta freia a economia, mas reforça impostos sobre investimentos
A desaceleração também reflete os efeitos da Selic em 15%, o maior nível desde 2006. O juro elevado diminui o consumo e desacelera a atividade econômica, mas, em contrapartida, aumenta a arrecadação sobre renda fixa, já que os títulos pagam mais rendimentos — e isso eleva a tributação sobre o setor financeiro.
Enquanto isso, a inflação acumulada em 12 meses ficou em 4,68%, acima da meta, mas em trajetória de desaceleração.
Arrecadação recorde vira peça-chave para cumprir a meta fiscal
Com os números fortes, o governo tenta manter o plano de zerar o déficit primário em 2025. Além do IOF e das bets, outras medidas reforçam a arrecadação, entre elas:
- tributação de fundos exclusivos e offshores
- revisão das subvenções de ICMS
- retomada da tributação dos combustíveis
- taxação das encomendas internacionais
- reoneração gradual da folha de pagamentos
- fim de incentivos do Perse
Embora a arrecadação siga robusta, o ritmo menor de crescimento indica que o governo enfrenta um cenário mais apertado nos próximos meses para continuar sustentando o ajuste fiscal.
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