ALIMENTOS TÊM MAIOR INFLAÇÃO PARA MAIO EM 18 ANOS
Alimentação no domicílio subiu 1,65% no mês, pressionada por menor oferta, alta do frete e impacto da guerra no Irã
Foto: Reprodução / Internet
A alimentação no domicílio subiu 1,65% em maio no Brasil, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (12) pelo IBGE. Com isso, o grupo registrou a maior inflação para o mês em 18 anos, desde maio de 2008, quando a alta havia sido de 2,27%.
Os dados integram o IPCA, índice oficial de inflação do país. Além disso, mostram que os alimentos continuaram pressionando o orçamento das famílias em maio.
No mês, a inflação geral desacelerou de 0,67% em abril para 0,58% em maio. Ainda assim, a taxa ficou acima da expectativa do mercado e marcou o maior resultado para maio desde 2021, quando o índice havia avançado 0,83%.
Alimentos puxam o resultado do mês
O grupo alimentação e bebidas subiu 1,33% em maio e teve impacto de 0,29 ponto percentual no IPCA. Dessa forma, respondeu por cerca de metade da inflação registrada no mês.
Dentro desse grupo, a alimentação no domicílio teve alta ainda mais forte, de 1,65%. Entre os principais itens que pressionaram o resultado estão a batata-inglesa, que subiu 44,69%, o tomate, com alta de 20,62%, a cebola, que avançou 16,80%, e as carnes, com aumento de 1,39%.
Segundo o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves, a alta reflete uma combinação de fatores. “O aumento nestes itens se deve a questões de menor oferta e também há influência do valor do frete por conta da alta dos combustíveis”, afirmou.
Por outro lado, alguns produtos ficaram mais baratos em maio. O café moído caiu 2,38%, enquanto as frutas recuaram 0,70%.
Guerra no Irã aumenta pressão sobre preços
Além da menor oferta de parte dos alimentos, economistas apontam que a guerra no Irã trouxe pressão adicional sobre os preços em 2026.
O conflito, iniciado em 28 de fevereiro, elevou as cotações do petróleo e dificultou o transporte marítimo. Como consequência, combustíveis como o óleo diesel ficaram mais caros.
Na prática, o aumento do diesel pesa diretamente no transporte rodoviário de alimentos. Isso ocorre porque grande parte da distribuição no Brasil depende de caminhões. Portanto, o custo maior do frete acaba chegando ao preço final dos produtos.
IPCA acumula alta de 4,72% em 12 meses
Com o resultado de maio, o IPCA acumula alta de 3,20% nos cinco primeiros meses de 2026. Já em 12 meses, o índice avançou 4,72%, acima dos 4,39% registrados até abril.
Assim, a inflação acumulada ficou acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central. A meta é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Pelos novos parâmetros da meta contínua, o IPCA passa a descumprir o alvo caso permaneça acima de 4,5% por seis leituras consecutivas.
Habitação também pressiona inflação
Além dos alimentos, o grupo habitação também acelerou em maio. A alta passou de 0,63% em abril para 1,22% no mês seguinte.
O principal impacto veio da energia elétrica residencial, que subiu 3,67% e respondeu pelo maior impacto individual no IPCA de maio, com 0,15 ponto percentual.
Segundo o IBGE, a alta ocorreu por causa da combinação de reajustes em algumas regiões e da vigência da bandeira tarifária amarela, que acrescentou R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
Entre as capitais e regiões pesquisadas, houve reajustes em Aracaju, Fortaleza, Salvador, Campo Grande, Recife e Belo Horizonte.
Transportes têm queda no mês
Enquanto alimentos e habitação pressionaram o índice, o grupo transportes ajudou a segurar a inflação. A categoria passou de alta de 0,06% em abril para queda de 0,46% em maio.
A redução foi puxada pelos combustíveis, que recuaram 1,95% no mês. Além disso, a gasolina caiu 1,46% e teve o maior impacto negativo individual no IPCA, de 0,08 ponto percentual.
O etanol também registrou queda, de 6,20%, enquanto o óleo diesel recuou 2,34%. Já o gás veicular seguiu na direção oposta e subiu 5,81%.
El Niño preocupa para o segundo semestre
Apesar da desaceleração do IPCA geral, o comportamento dos alimentos segue como ponto de atenção para o segundo semestre. Entre os fatores monitorados está o fenômeno climático El Niño, que altera a distribuição de chuvas.
Tradicionalmente, o El Niño aumenta o risco de seca nas regiões Norte e Nordeste do Brasil e, ao mesmo tempo, favorece chuvas fortes no Sul.
Caso um evento de forte intensidade se confirme, a produção agropecuária pode enfrentar dificuldades. Com isso, novos repasses para os preços dos alimentos podem ocorrer até o fim do ano.
Economistas elevam projeções
No acumulado em 12 meses, a alimentação no domicílio registrava alta de 2,99% até abril, conforme o IPCA.
No entanto, diante das pressões recentes, economistas revisaram para cima as projeções para o ano. Parte do mercado espera que a inflação da alimentação no domicílio feche 2026 em 7% ou mais.
Para saber mais sobre as noticias do Brasil e do mundo basta acessar o Rede Fonte News