APÓS REGULAMENTAR AS BETS, LULA VOLTA ATRÁS E DEFENDE FIM DAS APOSTAS ONLINE
Mudança de posição ocorre três anos após regulamentação do setor e a nove dias do primeiro turno das eleições
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara uma ofensiva para restringir ou até acabar com as bets no Brasil, apenas três anos depois de sancionar a lei que regulamentou o setor e ampliou a atuação das plataformas de apostas no país.
A Lei 14.790, sancionada por Lula em dezembro de 2023, regulamentou as apostas de quota fixa e incluiu os jogos on-line no mercado legal. Desde janeiro de 2025, apenas empresas autorizadas pelo governo federal podem operar nacionalmente.
Agora, Lula mudou o tom e passou a defender o fim das plataformas. Na quarta-feira (23), o presidente afirmou que pretende “acabar com as bets” e disse que os clubes de futebol terão de buscar outras formas de financiamento.
A mudança de posição ocorre enquanto o próprio governo mantém uma estrutura regulatória para o setor. Entre as medidas agora discutidas estão restrições à publicidade, o fim dos cassinos on-line e uma possível proibição mais ampla das apostas.
Uma mudança dessa dimensão afetaria empresas que receberam autorização para atuar no país, além de clubes de futebol que mantêm contratos de patrocínio com as plataformas. As bets se tornaram importantes fontes de receita para equipes brasileiras e também passaram a gerar arrecadação para o governo por meio de impostos e taxas.
Outro desafio seria combater as plataformas clandestinas. Uma eventual redução ou encerramento do mercado legal pode levar apostadores para sites irregulares, dificultando a fiscalização e o controle das operações.
A ofensiva de Lula ocorre a apenas nove dias do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro. O anúncio também coloca em evidência a mudança de direção do governo: em 2023, a gestão petista criou as regras para regulamentar o mercado de apostas e, agora, discute medidas que podem restringir ou até encerrar a atividade no país.