ARGENTINA FECHA 2025 COM MENOR INFLAÇÃO EM OITO ANOS, MAS ALTA MENSAL GERA ALERTA

Taxa anual caiu para 31,5%, mas alta mensal mantém economistas em alerta. Preços para serviços essenciais crescem por sete meses consecutivos

MILEI

📷 Reprodução: OLE BERG-RUSTEN/EFE/EPA

14/01/2026 ◦ Por: Segismar Júnior

A Argentina encerrou 2025 com a inflação anual mais baixa dos últimos oito anos, segundo dados divulgados nesta terça-feira,13, pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Apesar do resultado positivo no acumulado do ano, o índice de preços voltou a subir no último mês: em dezembro, a inflação foi de 2,8% em comparação com novembro.

Com isso, a taxa anual fechou em 31,5%, o menor patamar registrado para o mês desde 2017, quando havia sido de 24,8%. O número representa uma desaceleração significativa frente a 2024, ano que terminou com inflação acumulada de 117,8%. Ainda assim, o comportamento mensal dos preços segue como ponto de atenção para analistas.

Desde junho, os custos de áreas consideradas essenciais, como transporte, habitação, serviços públicos e combustíveis, vêm apresentando aumentos sucessivos. Em novembro, a inflação mensal havia sido de 2,5%, percentual que voltou a acelerar em dezembro.

O Ministério da Economia atribuiu o resultado anual ao programa de estabilização adotado pelo governo, baseado em superávit fiscal, controle da emissão monetária e fortalecimento do Banco Central. Em manifestação nas redes sociais, a pasta classificou o recuo da inflação como uma conquista relevante do atual modelo econômico.

Apesar da desaceleração, a inflação argentina permanece distante da média global, estimada em 4,2% para 2025, de acordo com projeções recentes do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O combate à inflação é o eixo central da política econômica do governo argentino desde a posse do atual presidente, em dezembro de 2023. A estratégia incluiu cortes severos nos gastos públicos, congelamento de orçamentos e uma desvalorização superior a 50% do peso argentino. Como resultado, o país registrou em 2024 o primeiro superávit fiscal em uma década, mas ao custo de perda de poder de compra, retração do consumo e impacto no emprego.

Instituições econômicas apontam que o ambiente de instabilidade política influenciou a formação de preços no último trimestre do ano. Projeções privadas, reunidas pelo Banco Central argentino, indicam que a inflação deve encerrar 2026 em 20,1%, percentual bem acima da estimativa oficial do governo, que prevê uma taxa de 10,1%.

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