BALANÇA COMERCIAL TEM DÉFICIT NA 1ª SEMANA DE FEVEREIRO, MAS SUPERÁVIT DO ANO SEGUE POSITIVO
Balança comercial do Brasil registra déficit de US$ 647 milhões na 1ª semana de fevereiro, mas mantém superávit no acumulado de 2026.
Foto: Divulgação/Porto de Santos
A balança comercial brasileira registrou déficit de US$ 647 milhões na primeira semana de fevereiro, conforme dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), nesta segunda-feira (9). O resultado decorre de US$ 6,835 bilhões em exportações e US$ 7,483 bilhões em importações no período.
Ainda assim, apesar do resultado negativo pontual, o saldo acumulado de 2026 segue positivo, com superávit próximo de US$ 4 bilhões, sustentado principalmente pelo forte desempenho registrado no mês de janeiro.
Exportações avançam, impulsionadas pela indústria
Na comparação com a primeira semana de fevereiro de 2025, as exportações brasileiras cresceram 20,2%, alcançando uma média diária de US$ 1,37 bilhão. Esse avanço foi puxado, sobretudo, pela indústria extrativa, que apresentou alta expressiva de 63,2%, além da indústria de transformação, que cresceu 15,3%.
Por outro lado, as vendas externas da agropecuária recuaram 4,1%, o que limitou um crescimento ainda mais robusto das exportações totais no período.
Importações sobem em ritmo mais forte e pressionam o saldo
Ao mesmo tempo, as importações aumentaram 28,9% em relação à primeira semana de fevereiro do ano passado, com média diária de US$ 1,50 bilhão. O crescimento foi liderado pelas compras da indústria de transformação, que avançaram 32,3%, seguidas pela agropecuária, com alta de 2,5%.
Em sentido oposto, as importações da indústria extrativa caíram 25,5%, o que ajudou a conter parcialmente a expansão das compras externas. Ainda assim, o avanço mais intenso das importações em relação às exportações acabou resultando no déficit observado na semana.
Janeiro forte sustenta resultado anual
O desempenho negativo da primeira semana de fevereiro ocorre após um janeiro bastante positivo para o comércio exterior brasileiro. No mês passado, o país registrou superávit de US$ 4,343 bilhões, crescimento de 85,8% em relação a janeiro de 2025.
Esse resultado foi impulsionado principalmente por uma queda de 9,8% nas importações, reflexo da desaceleração da demanda interna e de fatores sazonais, enquanto as exportações recuaram apenas 1%, mesmo sobre uma base elevada de comparação.
Segundo o MDIC, o cenário de juros elevados e a moderação do crescimento econômico tendem a reduzir a demanda por bens importados, especialmente insumos industriais.
Petróleo ganha peso crescente no superávit comercial
Outro fator estrutural que segue influenciando a balança comercial é a crescente dependência do petróleo e de seus derivados. Em 2025, o superávit desses produtos alcançou US$ 29,6 bilhões, o equivalente a mais de 40% do saldo total da balança comercial brasileira.
Esse desempenho está diretamente ligado ao aumento do volume exportado de petróleo bruto, impulsionado pela produção recorde no pré-sal. No entanto, especialistas alertam que o país segue deficitário na balança de derivados, devido à limitação da capacidade de refino interno, o que mantém elevada a importação de diesel e gasolina.
Desafio estrutural segue sendo a diversificação
Diante desse cenário, analistas ressaltam que, embora o petróleo sustente o superávit externo, a concentração da pauta exportadora em commodities como petróleo e soja, aumenta a vulnerabilidade do país a oscilações de preços internacionais e a mudanças no cenário geopolítico.
Assim, o resultado da primeira semana de fevereiro reforça um quadro de equilíbrio delicado: de um lado, um saldo anual ainda confortável; de outro, pressões pontuais provocadas pela aceleração das importações e pelo desafio de ampliar o valor agregado das exportações brasileiras.
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