BALANÇA COMERCIAL TEM SUPERÁVIT DE US$ 6,41 BILHÕES EM MARÇO, COM AVANÇO MAIS FORTE DAS IMPORTAÇÕES

Saldo positivo recuou 17,2% na comparação anual, embora exportações tenham crescido; no trimestre, Brasil acumula superávit de US$ 14,2 bilhões.

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Foto: Reprodução / Internet

08/04/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 6,41 bilhões em março de 2026, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Embora o saldo tenha permanecido positivo, o resultado ficou 17,2% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025, quando o país havia apurado superávit de US$ 7,74 bilhões.

No mês, as exportações somaram US$ 31,6 bilhões, com alta de 10% na comparação anual. Ao mesmo tempo, as importações chegaram a US$ 25,2 bilhões, com avanço ainda mais forte, de 20,1%. Por isso, mesmo com o crescimento das vendas externas, o saldo final encolheu em relação a março do ano passado.

Corrente de comércio bate US$ 56,8 bilhões em março

Além do superávit, a corrente de comércio, que reúne a soma de exportações e importações, alcançou US$ 56,8 bilhões em março. Esse volume representa expansão de 14,3% na comparação com o mesmo mês de 2025. Assim, o comércio exterior brasileiro continuou aquecido, embora o ritmo maior das compras externas tenha reduzido o saldo mensal.

Segundo o Mdic, o resultado de março foi o mais baixo para meses de março desde 2020. Ainda assim, o governo destacou que o trimestre fechou com recordes de exportação, importação e corrente de comércio.

Indústria extrativa puxou exportações

Do lado das exportações, o principal impulso veio da indústria extrativa, que cresceu 36,4% em março e somou US$ 7,4 bilhões. Dentro desse grupo, o maior destaque ficou para os óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, que renderam US$ 4,77 bilhões, com salto de 70,4% em relação a março de 2025.

Além disso, a indústria de transformação avançou 5,4% e chegou a US$ 15,8 bilhões. Já a agropecuária teve crescimento mais moderado, de 1,1%, com US$ 8,3 bilhões exportados. Portanto, o desempenho das vendas externas foi disseminado entre os grandes setores, mas a força maior veio do segmento extrativo.

China segue como principal destino das vendas brasileiras

Entre os destinos das exportações, a China continuou na liderança, com 33,2% do total vendido pelo Brasil em março. Em seguida, apareceram União Europeia, com 13%, e Estados Unidos, com 9,2%. Dessa forma, os principais mercados compradores mantiveram peso relevante na pauta exportadora brasileira.

Importações sobem mais e reduzem o saldo

Se as exportações cresceram, as importações avançaram ainda mais. O principal destaque veio dos bens de consumo, que somaram US$ 4,9 bilhões e dispararam 54,4% na comparação com março do ano passado. Além disso, os bens intermediários cresceram 10,4% e atingiram US$ 14,1 bilhões, enquanto a importação de combustíveis subiu 16,2%, chegando a US$ 2,4 bilhões.

Esse avanço mais forte das compras externas ajuda a explicar a redução do superávit mensal. Em outras palavras, o Brasil exportou mais, mas também importou muito mais, o que estreitou a diferença entre as duas pontas da balança.

Primeiro trimestre acumula superávit de US$ 14,2 bilhões

No acumulado de janeiro a março, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 14,2 bilhões. No período, as exportações somaram US$ 82,3 bilhões, com alta de 7,1%, enquanto as importações totalizaram US$ 68,2 bilhões, com avanço de 1,3%. Já a corrente de comércio alcançou US$ 150,5 bilhões, crescimento de 4,4% frente ao primeiro trimestre de 2025.

Assim, apesar da queda do saldo em março, o trimestre terminou com resultado positivo e acima do visto no mesmo intervalo do ano passado.

Governo projeta superávit de US$ 72,1 bilhões em 2026

O Mdic também atualizou sua projeção para o fechamento de 2026. A estimativa oficial agora aponta para superávit comercial de US$ 72,1 bilhões no ano. Para isso, o governo trabalha com previsão de US$ 364,2 bilhões em exportações e US$ 292,1 bilhões em importações. Em 2025, o superávit havia ficado em US$ 68,1 bilhões.

Segundo o governo, a revisão considera um cenário de atividade econômica resiliente, embora o ambiente internacional siga cercado de incertezas. Entre os fatores de atenção estão os preços das commodities e os possíveis efeitos prolongados da guerra no Oriente Médio sobre comércio e energia.

Saldo menor em março, mas comércio segue forte

O resultado de março mostra um quadro misto. De um lado, o Brasil ampliou exportações, teve corrente de comércio elevada e manteve saldo positivo. De outro, o avanço mais forte das importações reduziu o superávit mensal e levou o saldo ao menor nível para meses de março em seis anos. Ainda assim, o desempenho do trimestre sugere que o comércio exterior brasileiro continua ativo e com capacidade de sustentar saldo positivo ao longo de 2026.

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