BANCO CENTRAL ELEVA PREVISÃO DO PIB PARA 2,3% EM 2025 COM IMPULSO DO AGRONEGÓCIO

Banco Central eleva previsão do PIB de 2025 para 2,3%, impulsionado pelo agronegócio e pela indústria, segundo o Relatório de Política Monetária.

banco-central-preve-nao-cumprir-meta-de-inflacao-em-junho-thumb

Foto: Reprodução / Internet

18/12/2025 ◦ Por: João Vitor Barros

O Banco Central revisou para cima a projeção de crescimento da economia brasileira em 2025. Segundo o Relatório de Política Monetária, divulgado nesta semana, a autoridade monetária passou a estimar uma alta de 2,3% no Produto Interno Bruto (PIB), acima dos 2% previstos anteriormente. O principal fator para a revisão foi o desempenho mais forte da agropecuária, além de ajustes positivos na indústria extrativa.

Ao mesmo tempo, o BC também atualizou a estimativa para 2026. Nesse caso, a projeção subiu de 1,5% para 1,6%, ainda indicando um ritmo mais moderado de crescimento, especialmente diante da manutenção dos juros em patamar elevado e de um cenário internacional menos favorável.

Revisão reflete dados mais fortes da atividade econômica

Primeiramente, o Banco Central explicou que a revisão da projeção para 2025 decorre da divulgação de novos dados do IBGE e da reavaliação das séries históricas das Contas Nacionais Trimestrais. Além disso, o resultado do PIB no terceiro trimestre, considerado ligeiramente acima do esperado, também contribuiu para o ajuste.

Segundo o relatório, o desempenho mais robusto da economia no segundo semestre alterou a chamada “herança estatística” para 2025, elevando a base de crescimento projetada para o próximo ano.

Agropecuária lidera revisão positiva

Em especial, a agropecuária foi o setor que mais influenciou a revisão. O Banco Central elevou a estimativa de crescimento do setor de 9% para 11% em 2025. Esse movimento considera tanto a revisão dos dados do primeiro semestre quanto uma surpresa positiva na produção do terceiro trimestre.

Além disso, o relatório destaca que o ciclo favorável do agronegócio deve sustentar boa parte do crescimento econômico no próximo ano, diferentemente do que se espera para 2026, quando esse impulso tende a desaparecer.

Indústria ganha fôlego, mas serviços desaceleram

Na indústria, o BC também revisou as projeções para cima. A estimativa de crescimento passou de 1% para 1,6%, impulsionada principalmente pela indústria extrativa e pelos segmentos de energia, gás, água e saneamento. A produção de petróleo acima do esperado no terceiro trimestre teve papel relevante nesse ajuste.

Por outro lado, o setor de serviços, responsável por cerca de 70% do PIB brasileiro, teve a projeção reduzida de 1,8% para 1,7%. Ainda assim, o BC aponta avanços em áreas como comércio, transportes e serviços públicos, enquanto a intermediação financeira puxou o ajuste negativo.

Crescimento menor em 2026 já entra no radar

Para 2026, o Banco Central projeta um crescimento mais contido, de 1,6%. Nesse cenário, a autoridade monetária considera a permanência da política monetária restritiva, o baixo nível de ociosidade da economia e a desaceleração global.

Além disso, o BC avalia que o agronegócio não repetirá o desempenho excepcional previsto para 2025. Em contrapartida, o relatório inclui efeitos preliminares da ampliação da isenção e dos descontos no Imposto de Renda, que podem estimular o consumo das famílias.

Inflação segue acima da meta no curto prazo

No campo da inflação, o Banco Central reduziu a estimativa do IPCA acumulado em 2025 de 4,8% para 4,4%, aproximando o índice do teto da meta, que é de 4,5%. Apesar disso, o relatório indica que a inflação só deve convergir para o centro da meta de 3% em 2028.

Segundo o BC, embora as expectativas tenham recuado, elas ainda permanecem acima do nível desejado. Por isso, a autoridade monetária reforça o compromisso com uma política de juros restritiva até que haja maior segurança no processo de desinflação.

Crédito cresce mais, mas juros seguem como freio

Por fim, o relatório também revisou para cima as projeções de crescimento do crédito. Para 2025, a estimativa passou de 8,8% para 9,4%, enquanto, para 2026, subiu de 8% para 8,6%. O BC atribui esse movimento a perspectivas mais favoráveis para o crédito direcionado.

Mesmo assim, a autoridade monetária reforça que a taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, continua sendo um instrumento essencial para conter a demanda, equilibrar a economia e garantir a convergência da inflação à meta ao longo dos próximos anos.

Para saber mais sobre as noticias do Brasil e do mundo basta acessar o Rede Fonte News

Você também vai gostar de ler