BNDES AMPLIA RENEGOCIAÇÃO DE DÍVIDAS RURAIS E INCLUI CUSTEIO DA SAFRA 2024/25
Medida atende pressão do setor agropecuário, alcança produtores afetados por perdas climáticas e já soma R$ 5,7 bilhões em dívidas renegociadas
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Após semanas de pressão do setor agropecuário, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) decidiu ampliar o Programa de Liquidação de Dívidas Rurais e passou a incluir as operações de crédito de custeio da safra 2024/2025. A medida beneficia produtores que enfrentaram perdas climáticas no último ciclo agrícola e era uma das principais reivindicações de entidades representativas, sobretudo na Região Sul do País.
A ampliação foi formalizada em 13 de janeiro de 2026 e contempla financiamentos contratados entre 1º de julho de 2024 e 30 de junho de 2025. O programa foi criado para permitir a reorganização financeira de produtores que tiveram dificuldades para honrar compromissos assumidos nos últimos anos, em meio a adversidades econômicas e climáticas.
De acordo com dados do Banco do Brasil e do BNDES, até o dia 8 de janeiro já haviam sido aprovadas 20,9 mil operações de renegociação, totalizando R$ 5,7 bilhões. O montante corresponde a 47% do orçamento total do programa, estimado em R$ 12 bilhões.
O aval jurídico para a inclusão das dívidas da safra 2024/25 veio com a Resolução nº 5.276, aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 18 de dezembro de 2025. Até então, essas operações estavam fora do escopo original do programa. A decisão ganhou relevância diante dos impactos de eventos climáticos adversos registrados em diferentes regiões do País, como estiagens prolongadas, com destaque para o Rio Grande do Sul.
Apesar da ampliação, o prazo para adesão é considerado curto. A Medida Provisória nº 1.314/2025 estabeleceu o dia 10 de fevereiro como data-limite para solicitação da renegociação, reduzindo para cerca de 25 dias o período disponível para que os produtores procurem as instituições financeiras.
Os números já consolidados indicam que a maior parte das operações envolve produtores de menor porte. Aproximadamente 60% dos contratos renegociados pertencem às linhas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp). Os 39% restantes estão distribuídos entre outras modalidades de crédito rural do governo federal.
Para especialistas do setor, a inclusão das dívidas da safra 2024/25 era fundamental para garantir a efetividade do programa. Sem a ampliação, uma parcela relevante dos produtores mais impactados pelas perdas recentes ficaria sem acesso às condições de renegociação. A avaliação é que a medida cria espaço para a reorganização do fluxo de caixa e melhora a capacidade de planejamento da próxima safra.