BOLETIM FOCUS ELEVA PROJEÇÃO DA INFLAÇÃO PARA 4,86% EM 2026 E MANTÉM SELIC EM 13%
Mercado voltou a subir a estimativa para o IPCA do próximo ano; além disso, reduziu a projeção para o dólar e cortou levemente a previsão do PIB
Foto: Reprodução / Internet
O mercado financeiro voltou a piorar a projeção para a inflação de 2026. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 28 de abril, pelo Banco Central, a mediana para o IPCA subiu de 4,80% para 4,86%, o que marcou a sétima alta consecutiva. Ao mesmo tempo, a previsão para a Selic no fim de 2026 ficou mantida em 13,00% ao ano.
Além disso, o Focus mostrou nova alta para a inflação de 2027, cuja estimativa passou de 3,99% para 4,00%. Já para 2028, a projeção avançou levemente de 3,60% para 3,61%. Por outro lado, a expectativa para 2029 permaneceu estável em 3,50%.
Inflação segue acima do teto da meta
A nova projeção de 4,86% para 2026 mantém a inflação esperada acima do teto da meta contínua perseguida pelo Banco Central. Atualmente, o sistema tem centro em 3,0% e margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, o que leva o limite superior a 4,5%. Portanto, a mediana do mercado continua fora desse intervalo.
Além do IPCA, o Focus também indicou pressão em outros indicadores de preços. Nesse sentido, a projeção para o IGP-M de 2026 subiu de 4,66% para 4,80%, na oitava alta seguida. Já a estimativa para os preços administrados avançou de 4,90% para 4,98%.
Selic fica estável em 13% para 2026
No caso dos juros, o mercado manteve a previsão da Selic em 13,00% ao fim de 2026. Além disso, a estimativa para 2027 permaneceu em 11,00%, enquanto a de 2028 ficou estável em 10,00%. Já para 2029, a projeção recuou de 9,88% para 9,75%.
Dessa forma, o Focus sugere que o mercado ainda vê juros elevados por mais tempo. Ao mesmo tempo, reportagens sobre a pesquisa destacaram que os analistas seguem esperando um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom, o que levaria a taxa atual de 14,75% para 14,50%.
PIB tem leve recuo na projeção
A expectativa para o crescimento da economia em 2026 caiu levemente. Segundo o Focus, a mediana para o PIB passou de 1,86% para 1,85%. Já para 2027, a projeção ficou mantida em 1,80%. Além disso, para 2028 e 2029, o mercado continuou prevendo expansão de 2,00%.
Embora a mudança tenha sido pequena, ela interrompeu o ajuste positivo da semana anterior. Assim, o novo relatório mostrou uma economia com crescimento praticamente estável, mas com inflação e juros ainda pressionados.
Dólar recua pela terceira semana seguida
No câmbio, o movimento seguiu na direção oposta. A projeção para o dólar no fim de 2026 caiu de R$ 5,30 para R$ 5,25, na terceira queda consecutiva. Além disso, a expectativa para 2027 ficou em R$ 5,35, enquanto a de 2028 permaneceu em R$ 5,40. Já para 2029, a estimativa recuou de R$ 5,45 para R$ 5,41.
Portanto, o Focus passou a combinar inflação mais alta com dólar um pouco mais baixo. Esse desenho sugere que o mercado vê algum alívio na taxa de câmbio, mas ainda não o suficiente para conter a deterioração das expectativas de preços.
Petróleo e cenário externo seguem no radar
A piora das projeções acontece em meio à continuidade da guerra no Oriente Médio e ao impacto do petróleo sobre os preços globais. Reportagens publicadas nesta segunda-feira associaram a nova alta das expectativas inflacionárias ao ambiente externo, especialmente ao comportamento do barril, que voltou a operar acima de US$ 100.
Nesse cenário, o novo Focus reforçou um quadro de inflação mais resistente em 2026. Ao mesmo tempo, manteve a previsão de juros altos, reduziu a estimativa para o dólar e cortou levemente a projeção de crescimento do PIB.
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