BOLETIM FOCUS ELEVA PROJEÇÃO DA SELIC PARA 13% EM 2026 E REFORÇA PIORA NAS EXPECTATIVAS
Mercado também voltou a subir a estimativa para a inflação do próximo ano, enquanto reduziu a projeção para o dólar e manteve o PIB praticamente estável
Foto: Reprodução / Internet
O mercado financeiro passou a projetar uma taxa Selic de 13,00% ao ano em 2026, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 20 de abril, pelo Banco Central. Na semana anterior, a mediana era de 12,50%, o que marcou a primeira alta recente nessa estimativa. Além disso, a projeção para 2027 também avançou, de 10,50% para 11,00%.
Ao mesmo tempo, o Focus mostrou nova deterioração nas expectativas para a inflação. A projeção do IPCA para 2026 subiu de 4,71% para 4,80%, na sexta alta consecutiva. Para 2027, a estimativa também avançou, de 3,91% para 3,99%. Já as previsões para 2028 e 2029 ficaram em 3,60% e 3,50%, respectivamente.
No câmbio, o movimento foi inverso. A projeção para o dólar no fim de 2026 caiu de R$ 5,37 para R$ 5,30. Além disso, as estimativas para 2027, 2028 e 2029 também recuaram para R$ 5,35, R$ 5,40 e R$ 5,45. Já a previsão para o crescimento do PIB de 2026 teve leve ajuste de 1,85% para 1,86%, enquanto 2027 seguiu em 1,80%.
Selic sobe nas projeções para 2026 e 2027
A principal mudança desta edição do Focus apareceu nos juros. Depois de semanas de estabilidade, o mercado elevou a taxa Selic esperada para 2026 para 13,00% ao ano. Para 2027, a projeção subiu para 11,00%, enquanto 2028 permaneceu em 10,00% e 2029 passou de 9,75% para 9,88%.
Esse movimento indica uma percepção de que o processo de queda dos juros pode ser mais lento do que o projetado anteriormente. Além disso, reportagens que repercutiram o boletim destacaram que o mercado segue esperando um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom, marcada para os dias 28 e 29 de abril, mas passou a ver uma trajetória mais cautelosa para os meses seguintes.
Inflação segue acima do teto da meta
A projeção de 4,80% para o IPCA de 2026 mantém a inflação esperada acima do teto da meta contínua perseguida pelo Banco Central. O sistema tem centro em 3,0%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que leva o limite superior a 4,5%. Portanto, a nova estimativa do Focus segue acima desse teto.
Além disso, o relatório também mostrou alta nas expectativas para os preços administrados, que passaram a 4,90% em 2026, e para o IGP-M, cuja projeção saltou de 3,86% para 4,66%. Para 2027, o IGP-M permaneceu em 4,00%.
PIB quase não muda e câmbio recua
No caso da atividade econômica, o Focus trouxe apenas uma pequena revisão. A projeção para o PIB de 2026 subiu de 1,85% para 1,86%. Para os anos seguintes, o mercado manteve 1,80% em 2027 e 2,00% tanto em 2028 quanto em 2029.
Já no câmbio, a tendência foi de recuo nas projeções. O dólar esperado para o fim de 2026 caiu para R$ 5,30, depois de estar em R$ 5,37 na semana anterior. Esse movimento também apareceu nas estimativas para 2027, 2028 e 2029.
Mercado ajusta cenário em meio a pressões externas
A revisão para cima de inflação e juros acontece em um ambiente de maior preocupação com a economia internacional. Reportagens publicadas nesta segunda-feira associaram a piora das expectativas ao impacto da guerra no Oriente Médio, ao fechamento do estreito de Hormuz e à pressão sobre o petróleo, fatores que reacenderam temores inflacionários no mercado.
Nesse contexto, o novo Focus desenha um cenário de inflação mais resistente, juros mais altos por mais tempo, câmbio um pouco mais comportado e crescimento praticamente estável para 2026.
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