BOLETIM FOCUS: MERCADO REDUZ PROJEÇÃO DA INFLAÇÃO PELA SEXTA SEMANA CONSECUTIVA
Mercado financeiro reduz projeção da inflação pelo sexto boletim seguido, ajusta PIB, dólar e juros, segundo o Focus do Banco Central.
Foto: Reprodução / Internet
O mercado financeiro voltou a revisar para baixo as expectativas de inflação, conforme aponta o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central. Pela sexta semana consecutiva, os analistas reduziram a projeção do IPCA para 2025, sinalizando um processo gradual de desaceleração dos preços no país.
De acordo com o levantamento, a estimativa para a inflação neste ano caiu de 4,36% para 4,33%. Já para 2026, a projeção recuou de 4,10% para 4,06%, registrando o quinto ajuste negativo seguido. Enquanto isso, as previsões para 2027 e 2028 permaneceram estáveis, em 3,8% e 3,5%, respectivamente, o que indica que a convergência para o centro da meta deve ocorrer de forma mais lenta no médio prazo.
Inflação segue acima do centro da meta
Apesar das revisões para baixo, a inflação projetada ainda permanece acima do centro da meta oficial, fixada em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Nesse contexto, o mercado acompanha com atenção os próximos dados de preços. O IBGE divulga nesta terça-feira o IPCA-15 de dezembro, considerado uma prévia da inflação oficial.
Analistas esperam uma aceleração do índice em relação a novembro, o que pode manter o indicador próximo do limite superior da meta ao fim do ano, mesmo com a tendência recente de arrefecimento.
PIB tem leve ajuste para cima
No campo da atividade econômica, o Boletim Focus mostrou um pequeno ajuste positivo. A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 passou de 2,25% para 2,26%. Para 2026, contudo, a expectativa permaneceu estável em 1,8%, reforçando a percepção de um ritmo mais moderado de expansão da economia nos próximos anos.
Esse movimento ocorre em um cenário de política monetária ainda restritiva, que busca conter a inflação, mas que, ao mesmo tempo, limita o avanço mais forte da atividade econômica.
Dólar sobe nas projeções do mercado
Em relação ao câmbio, o mercado elevou a estimativa para o dólar no fim deste ano. A projeção passou de R$ 5,40 para R$ 5,43, refletindo as recentes oscilações da moeda norte-americana. Na semana passada, o dólar acumulou alta expressiva, o que influenciou diretamente as novas projeções.
Para 2026, os analistas mantiveram a expectativa de que a moeda norte-americana permaneça em patamar elevado, ainda pressionada por fatores externos e pelo diferencial de juros.
Selic deve permanecer elevada
Outro ponto de atenção do relatório está na taxa básica de juros. Os economistas ajustaram para cima a projeção da Selic ao final de 2026, que passou de 12,13% para 12,25%. A pesquisa continua indicando manutenção da taxa em 15% na primeira reunião do ano, reforçando a postura cautelosa do Comitê de Política Monetária.
Segundo integrantes do Banco Central, as decisões seguem dependentes dos dados econômicos, sem sinalização antecipada sobre o início do ciclo de cortes. A expectativa do mercado é que a inflação só atinja o centro da meta de forma consistente a partir de 2028.
Cenário de transição gradual
Em síntese, o Boletim Focus aponta para um cenário de inflação em desaceleração gradual, crescimento econômico moderado e juros ainda elevados no médio prazo. Embora as revisões indiquem melhora nas expectativas, o ambiente segue exigindo cautela, tanto por parte da política monetária quanto dos agentes econômicos, diante das incertezas internas e externas que ainda influenciam o desempenho da economia brasileira.
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