BRASIL PODE ATINGIR 1 MILHÃO DE PESSOAS PRESAS EM 2027
População carcerária chegou a 964,6 mil em 2025, enquanto o sistema acumulava déficit de mais de 281 mil vagas
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Brasil pode alcançar a marca de 1 milhão de pessoas presas em 2027, caso mantenha o ritmo de crescimento da população carcerária observado nos últimos anos.
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou 964.668 pessoas privadas de liberdade em 2025, considerando presos em penitenciárias e delegacias.
O número representa uma alta de 6% em relação ao ano anterior. Além disso, na última década, a população prisional cresceu, em média, 3,3% por ano.
Uma projeção validada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que um avanço médio de aproximadamente 2% em 2026 e 2027 já levaria o país ao patamar de 1 milhão de encarcerados.
População carcerária cresceu 314% desde 2000
Entre 2000 e 2025, o número de pessoas privadas de liberdade aumentou 314,5% no Brasil.
Já entre 2016 e 2025, o total passou de 722.120 para 964.668 presos. Dessa forma, o sistema recebeu mais de 242 mil pessoas em menos de uma década.
Segundo David Marques, gerente de programas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a série histórica mostra uma tendência contínua de crescimento.
“Isso é muito característico da política criminal brasileira, uma população prisional que segue crescendo, num sistema prisional que não tem o número de vagas adequado”, afirmou.
Déficit supera 281 mil vagas
Enquanto a população prisional aumentou, o Brasil contabilizou 679.763 vagas disponíveis no sistema em 2025.
Assim, o déficit chegou a 281.213 vagas, segundo o Anuário. A diferença amplia a superlotação e dificulta a oferta de serviços básicos dentro das unidades.
Além disso, o problema compromete políticas de educação, saúde, trabalho e reintegração social.
“No sistema superlotado, as estruturas, as políticas, os direitos e garantias que deveriam sistema superlotado, as estruturas, as políticas, os direitos e garantias que deveriam existir dentro do cárcere não são oferecidos de fato”, explicou Marques.
Um em cada quatro presos aguarda julgamento
Outro fator que contribui para a superlotação é o número de presos provisórios.
Nos últimos anos, aproximadamente um em cada quatro detentos ainda aguardava julgamento. Portanto, parte expressiva da população carcerária permanecia presa sem uma condenação definitiva.
Segundo o relatório, esse cenário revela um desequilíbrio entre a capacidade do Estado de prender e a velocidade do sistema de Justiça para analisar e concluir os processos.
Número de mulheres presas cresce 43,7%
Os homens ainda representam 94% da população prisional brasileira. No entanto, o encarceramento feminino cresceu em ritmo mais acelerado na última década.
Em 2025, o Brasil registrou 57.222 mulheres privadas de liberdade, o maior número desde o início da série histórica, em 2016.
Em dez anos, a população prisional feminina aumentou 43,7%. Entre os homens, por outro lado, o crescimento ficou em 36,4%.
Dessa maneira, o levantamento destaca a necessidade de políticas específicas para mulheres, já que o sistema foi estruturado para atender uma população majoritariamente masculina.
Pessoas negras são quase 70% dos presos
O perfil da população carcerária também revela desigualdades raciais.
Em 2025, pessoas negras representavam 69,6% dos presos, o maior percentual da série histórica. Enquanto isso, as pessoas brancas correspondiam a 29,2%, o menor índice registrado.
Além disso, pessoas amarelas representavam 0,9% da população prisional, enquanto indígenas correspondiam a 0,3%.
Mortes em presídios aumentam 241%
O Anuário também aponta um crescimento expressivo das mortes dentro das unidades prisionais.
Entre 2016 e 2025, 23.942 pessoas morreram no sistema carcerário brasileiro, considerando todas as causas. Nesse período, o aumento chegou a 241%.
Somente em 2025, o país registrou 3.318 mortes, o maior total da série histórica.
Problemas de saúde e causas naturais aparecem entre os principais motivos. Segundo o relatório, os números indicam falhas no acesso à atenção básica, à prevenção de doenças e aos atendimentos ambulatorial e hospitalar.
Ao mesmo tempo, as mortes classificadas com causa desconhecida cresceram 1.422% entre 2016 e 2025. O avanço aponta fragilidades na investigação e na identificação das circunstâncias dos óbitos.
Maioria dos presídios não tem acessibilidade
Em 2025, o sistema prisional reunia 10.218 pessoas com algum tipo de deficiência. No ano anterior, eram 9.799.
Apesar do aumento, quase 70% dos 1.532 estabelecimentos prisionais não possuíam módulos ou celas adaptadas.
Além disso, 17,3% das unidades apresentavam algum nível de adequação. Já menos de 15% estavam totalmente adaptadas às normas de acessibilidade.
Apenas 21,6% participam de atividades de trabalho
O Anuário também avaliou os programas de laborterapia, que utilizam atividades profissionais e ocupacionais como instrumentos de reabilitação e reintegração social.
Embora o número de participantes tenha crescido 13,2% em relação a 2024, apenas 21,6% da população prisional estava inserida nessas iniciativas em 2025.
Com 964.668 pessoas privadas de liberdade e crescimento contínuo do encarceramento, a projeção indica que o sistema brasileiro poderá ultrapassar a marca de 1 milhão de presos em 2027.
Para saber mais sobre as noticias do Brasil e do mundo basta acessar o Rede Fonte News