BRASIL PODE ATINGIR 1 MILHÃO DE PESSOAS PRESAS EM 2027

População carcerária chegou a 964,6 mil em 2025, enquanto o sistema acumulava déficit de mais de 281 mil vagas

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

28/07/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

O Brasil pode alcançar a marca de 1 milhão de pessoas presas em 2027, caso mantenha o ritmo de crescimento da população carcerária observado nos últimos anos.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou 964.668 pessoas privadas de liberdade em 2025, considerando presos em penitenciárias e delegacias.

O número representa uma alta de 6% em relação ao ano anterior. Além disso, na última década, a população prisional cresceu, em média, 3,3% por ano.

Uma projeção validada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que um avanço médio de aproximadamente 2% em 2026 e 2027 já levaria o país ao patamar de 1 milhão de encarcerados.

População carcerária cresceu 314% desde 2000

Entre 2000 e 2025, o número de pessoas privadas de liberdade aumentou 314,5% no Brasil.

Já entre 2016 e 2025, o total passou de 722.120 para 964.668 presos. Dessa forma, o sistema recebeu mais de 242 mil pessoas em menos de uma década.

Segundo David Marques, gerente de programas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a série histórica mostra uma tendência contínua de crescimento.

“Isso é muito característico da política criminal brasileira, uma população prisional que segue crescendo, num sistema prisional que não tem o número de vagas adequado”, afirmou.

Déficit supera 281 mil vagas

Enquanto a população prisional aumentou, o Brasil contabilizou 679.763 vagas disponíveis no sistema em 2025.

Assim, o déficit chegou a 281.213 vagas, segundo o Anuário. A diferença amplia a superlotação e dificulta a oferta de serviços básicos dentro das unidades.

Além disso, o problema compromete políticas de educação, saúde, trabalho e reintegração social.

“No sistema superlotado, as estruturas, as políticas, os direitos e garantias que deveriam sistema superlotado, as estruturas, as políticas, os direitos e garantias que deveriam existir dentro do cárcere não são oferecidos de fato”, explicou Marques.

Um em cada quatro presos aguarda julgamento

Outro fator que contribui para a superlotação é o número de presos provisórios.

Nos últimos anos, aproximadamente um em cada quatro detentos ainda aguardava julgamento. Portanto, parte expressiva da população carcerária permanecia presa sem uma condenação definitiva.

Segundo o relatório, esse cenário revela um desequilíbrio entre a capacidade do Estado de prender e a velocidade do sistema de Justiça para analisar e concluir os processos.

Número de mulheres presas cresce 43,7%

Os homens ainda representam 94% da população prisional brasileira. No entanto, o encarceramento feminino cresceu em ritmo mais acelerado na última década.

Em 2025, o Brasil registrou 57.222 mulheres privadas de liberdade, o maior número desde o início da série histórica, em 2016.

Em dez anos, a população prisional feminina aumentou 43,7%. Entre os homens, por outro lado, o crescimento ficou em 36,4%.

Dessa maneira, o levantamento destaca a necessidade de políticas específicas para mulheres, já que o sistema foi estruturado para atender uma população majoritariamente masculina.

Pessoas negras são quase 70% dos presos

O perfil da população carcerária também revela desigualdades raciais.

Em 2025, pessoas negras representavam 69,6% dos presos, o maior percentual da série histórica. Enquanto isso, as pessoas brancas correspondiam a 29,2%, o menor índice registrado.

Além disso, pessoas amarelas representavam 0,9% da população prisional, enquanto indígenas correspondiam a 0,3%.

Mortes em presídios aumentam 241%

O Anuário também aponta um crescimento expressivo das mortes dentro das unidades prisionais.

Entre 2016 e 2025, 23.942 pessoas morreram no sistema carcerário brasileiro, considerando todas as causas. Nesse período, o aumento chegou a 241%.

Somente em 2025, o país registrou 3.318 mortes, o maior total da série histórica.

Problemas de saúde e causas naturais aparecem entre os principais motivos. Segundo o relatório, os números indicam falhas no acesso à atenção básica, à prevenção de doenças e aos atendimentos ambulatorial e hospitalar.

Ao mesmo tempo, as mortes classificadas com causa desconhecida cresceram 1.422% entre 2016 e 2025. O avanço aponta fragilidades na investigação e na identificação das circunstâncias dos óbitos.

Maioria dos presídios não tem acessibilidade

Em 2025, o sistema prisional reunia 10.218 pessoas com algum tipo de deficiência. No ano anterior, eram 9.799.

Apesar do aumento, quase 70% dos 1.532 estabelecimentos prisionais não possuíam módulos ou celas adaptadas.

Além disso, 17,3% das unidades apresentavam algum nível de adequação. Já menos de 15% estavam totalmente adaptadas às normas de acessibilidade.

Apenas 21,6% participam de atividades de trabalho

O Anuário também avaliou os programas de laborterapia, que utilizam atividades profissionais e ocupacionais como instrumentos de reabilitação e reintegração social.

Embora o número de participantes tenha crescido 13,2% em relação a 2024, apenas 21,6% da população prisional estava inserida nessas iniciativas em 2025.

Com 964.668 pessoas privadas de liberdade e crescimento contínuo do encarceramento, a projeção indica que o sistema brasileiro poderá ultrapassar a marca de 1 milhão de presos em 2027.

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