BRASIL REGISTRA AVANÇO PREOCUPANTE NOS ACIDENTES ENVOLVENDO MOTOCICLISTAS
Ipea aponta que motos causam quase 40% das mortes e 60% das internações no trânsito, aumentando a pressão sobre o SUS
📷: André Schaun
As motocicletas continuam liderando as estatísticas de violência no trânsito brasileiro, respondendo por quase 40% das mortes e aproximadamente 60% das internações causadas por acidentes.
Os números fazem parte de um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que acende um alerta para a pressão crescente sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) e para os perigos relacionados à possível regulamentação do serviço de mototáxi no país.
O estudo revela que as hospitalizações decorrentes de acidentes com motos dispararam nos últimos 25 anos: saltaram de cerca de 15 mil, em 1998, para mais de 165 mil em 2024, representando quase 60% de todas as internações por ocorrências no trânsito terrestre.
Apesar de a frota representar apenas 30% do total de veículos motorizados. No mesmo intervalo, os custos hospitalares também se multiplicaram, passando de R$ 41 milhões para algo em torno de R$ 273 milhões, o que corresponde a quase dois terços de todo o gasto com acidentes de trânsito.
De acordo com o Ipea, o perfil das vítimas fatais segue um padrão: a maioria é formada por homens, mais de um terço é jovem e mais da metade se declara parda. Grande parte dessas pessoas possui baixa ou média escolaridade.
Com o avanço contínuo dos acidentes, o Instituto publicou uma nota técnica recomendando que o serviço de mototáxi não seja regulamentado no país, sobretudo em cidades pequenas.
Para o Ipea, o uso desse tipo de transporte deveria ser limitado a regiões com dificuldade de deslocamento, como áreas de morro e comunidades, onde há menor interação com carros e veículos de grande porte, reduzindo, assim, a probabilidade de acidentes graves.