BRASIL REGISTRA MENOR DESEMPREGO DESDE 2012; DEZ ESTADOS E O DF BATEM RECORDE, E MT E SC LIDERAM COM 2,3%
Com taxa nacional de 5,6%, mercado de trabalho volta ao melhor nível da série histórica; estados do Centro-Oeste e Sul puxam resultado, enquanto regiões com menor escolaridade seguem com índices maiores.
Foto: Reprodução / Internet
A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,6% no terceiro trimestre de 2025 e alcançou o menor nível desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012. Além disso, dez estados e o Distrito Federal também atingiram suas menores taxas já registradas. O destaque do ranking fica com Mato Grosso e Santa Catarina, ambos com 2,3% de desocupação, o menor patamar do país.
Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e mostram um mercado de trabalho que, apesar de ainda enfrentar desigualdades regionais, avança de forma consistente. Ao mesmo tempo, indicadores como informalidade, rendimento e tempo de procura por emprego revelam mudanças estruturais importantes na dinâmica da ocupação no país.
Regiões que bateram recorde
De acordo com o IBGE, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Sergipe e Tocantins registraram as menores taxas de desemprego desde 2012. Esse movimento acompanha o cenário nacional, que também marcou o menor resultado da série histórica.
Paralelamente, mesmo sem quebrar recorde, Santa Catarina aparece empatada com Mato Grosso na liderança do país, com 2,3% de desocupação. Logo depois surgem Rondônia e Espírito Santo, com 2,6%, além de Mato Grosso do Sul, com 2,9%.
Na outra ponta, Pernambuco concentra a maior taxa (10%), seguido por Amapá, Bahia e Distrito Federal, todos acima da média nacional.
O que explica essas diferenças?
Segundo o analista do IBGE, William Kratochwill, parte dessas diferenças está diretamente ligada à estrutura econômica de cada região. Estados do Sul e Centro-Oeste possuem forte presença de setores como indústria e agronegócio, que tradicionalmente geram vagas mais formais e estáveis.
Santa Catarina, por exemplo, tem o maior percentual de trabalhadores da indústria em todo o país. Já estados do Nordeste convivem com menor nível de escolarização, setores menos diversificados e menor capacidade de geração de empregos de maior qualificação.
Qualidade do emprego melhora em vários estados
Além da queda no desemprego, a formalização também avançou. Segundo o IBGE, oito estados superam a média nacional de empregados com carteira assinada no setor privado, que é de 74,4%. Entre eles estão Santa Catarina (88%), São Paulo (82,8%), Rio Grande do Sul (82%) e Mato Grosso (78,9%).
Por outro lado, sete estados não atingem 60% de formalização, o que mostra que a recuperação do mercado de trabalho ainda ocorre de maneira desigual.
Mato Grosso se destaca com renda em alta e informalidade menor
Entre os melhores desempenhos do país, Mato Grosso merece destaque. O estado reduziu a desocupação de 2,8% para 2,3% em um trimestre, cortando de 58 mil para 48 mil o número de desempregados.
Além disso, a informalidade caiu e o rendimento médio real atingiu R$ 3.507, valor superior ao de um ano antes. A subutilização da força de trabalho também recuou de 146 mil para 126 mil pessoas.
Tempo de procura por emprego cai em todas as faixas
Outro dado importante revelado pela Pnad é a redução expressiva no tempo de procura por emprego. Segundo o IBGE:
• quem procura trabalho há menos de um mês caiu 14,2%
• quem procura entre um mês e menos de um ano atingiu o menor nível da série histórica
• quem busca há um a dois anos caiu 11,1%
• quem procura há dois anos ou mais caiu 17,8%, menor patamar desde 2014
Esses dados mostram um mercado de trabalho mais dinâmico, com retorno mais rápido dos trabalhadores ao emprego.
Trabalho por aplicativos impacta o desemprego
Um estudo do FGV/Ibre indica que, sem o avanço do trabalho em aplicativos, a taxa de desemprego seria cerca de 1 ponto percentual maior. Entre 2015 e 2025, o número de trabalhadores por plataformas digitais saltou de 770 mil para 2,1 milhões, aumento de 170%.
Além disso, quem trabalha nessas plataformas ganha, em média, R$ 300 a mais do que trabalhadores de grupos com menor probabilidade de atuar nessas atividades.
No entanto, o estudo aponta desigualdades: o impacto positivo é maior em regiões com melhor infraestrutura digital, reforçando a necessidade de reduzir disparidades tecnológicas no país.
Menor desemprego da história, mas ainda com desafios
Mesmo que o país registre a menor taxa de desocupação desde 2012, o IBGE destaca que o avanço ocorre de maneira desigual. Estados com menor escolaridade e menor diversificação econômica ainda sofrem para acompanhar o ritmo do restante do Brasil.
O desafio passa agora por avançar na formalização, reduzir desigualdades regionais e elevar a qualidade dos postos de trabalho, garantindo maior estabilidade e renda para a população.
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