BRASIL SUPERA OS EUA E SE TORNA O MAIOR PRODUTOR DE CARNE BOVINA DO MUNDO, APONTA USDA

Brasil supera os Estados Unidos e se torna o maior produtor de carne bovina do mundo em 2025, segundo o USDA; liderança histórica reforça força da pecuária brasileira.

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Foto: Reprodução / Internet

17/12/2025 ◦ Por: João Vitor Barros

O Brasil alcançou, pela primeira vez, a liderança mundial na produção de carne bovina e ultrapassou os Estados Unidos, segundo dados do Departamento de Agricultura norte-americano (USDA). O feito consolida ainda mais a força da pecuária brasileira, que já ocupa há mais de duas décadas o posto de maior exportadora global da proteína.

De acordo com o relatório mais recente do órgão, o país produziu 12,35 milhões de toneladas de carne bovina em 2025, considerando o peso de carcaça. No mesmo período, os Estados Unidos registraram 11,81 milhões de toneladas, ficando atrás do Brasil nessa estatística pela primeira vez desde o início da série histórica do USDA, na década de 1960.

Produção histórica e crescimento consistente

Ao longo dos últimos anos, o Brasil manteve crescimento contínuo na produção de carne bovina. Em 2021, o volume produzido no país era de 9,75 milhões de toneladas, o que representa uma expansão de 26,7% em cinco anos, conforme os dados do USDA.

Enquanto isso, os Estados Unidos seguiram trajetória oposta. Desde 2022, o país enfrenta quedas sucessivas na produção, com exceção de uma leve recuperação em 2024. Ainda assim, o movimento não foi suficiente para manter a liderança global.

Conab aponta números mais conservadores

Apesar da liderança apontada pelo USDA, estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam um cenário mais equilibrado em 2025. Segundo a estatal, o Brasil deve produzir 11,38 milhões de toneladas, volume que apenas empata com o desempenho norte-americano, sem ultrapassá-lo.

Mesmo com essa divergência metodológica, os dados reforçam a consolidação do Brasil entre os maiores produtores globais de carne bovina.

Projeção de empate em 2026

Para 2026, o USDA projeta um empate técnico entre Brasil e Estados Unidos. A expectativa é que ambos produzam cerca de 11,7 milhões de toneladas. No caso brasileiro, o órgão prevê uma redução de aproximadamente 5% na produção, reflexo da diminuição no abate de fêmeas.

Segundo o relatório, essa estratégia indica uma mudança no ciclo pecuário, com produtores retendo matrizes para recomposição do rebanho nos próximos anos.

Crise no rebanho dos Estados Unidos

A queda da produção norte-americana tem explicação clara. Os estoques de gado nos Estados Unidos atingiram, em janeiro deste ano, o menor nível em quase 75 anos. A principal causa foi a seca prolongada, que comprometeu pastagens e elevou significativamente os custos de alimentação dos animais.

Além disso, o país suspendeu, desde maio, grande parte das importações de gado do México, devido a preocupações sanitárias relacionadas à bicheira-do-Novo-Mundo, o que agravou ainda mais a escassez de oferta.

Impactos na indústria e no mercado

A redução do rebanho pressionou frigoríficos norte-americanos, que passaram a pagar mais caro pelo gado. Como consequência, grandes empresas anunciaram o fechamento de unidades.

A JBS confirmou o encerramento permanente de uma planta próxima a Los Angeles, enquanto a Tyson Foods fechou, em janeiro, uma importante unidade de abate em Nebraska, responsável por cerca de 3.200 empregos.

Tarifaço, exportações e protagonismo brasileiro

Mesmo diante do tarifaço imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, sobre diversos produtos importados — incluindo a carne bovina — o Brasil manteve protagonismo no mercado internacional.

Embora tenha enfrentado uma sobretaxa de até 50% nas vendas para os Estados Unidos, o país diversificou destinos e bateu recorde de exportações em setembro, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). México e Argentina figuraram entre os mercados que ampliaram as compras da carne brasileira.

Em novembro, os EUA suspenderam as tarifas para a carne bovina brasileira, o que abriu espaço para retomada do fluxo comercial.

Brasil consolida liderança global

Com produção robusta, presença internacional consolidada e capacidade de adaptação aos desafios do mercado, o Brasil reforça sua posição estratégica no setor pecuário mundial. Mesmo com ajustes esperados para 2026, o país segue como protagonista absoluto na cadeia global da carne bovina.

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