CÂMARA APROVA PL DA DOSIMETRIA E ABRE CAMINHO PARA REDUÇÃO DE PENAS DO 8 DE JANEIRO
Câmara aprova o PL da Dosimetria, que muda o cálculo das penas do 8 de Janeiro e pode reduzir o tempo de prisão de Jair Bolsonaro e outros condenados.
Foto: Reprodução / Internet
A Câmara dos Deputados viveu uma madrugada de forte tensão ao aprovar, por 291 votos a 148, o PL da Dosimetria, que altera de maneira direta o cálculo das penas aplicadas aos envolvidos nos atos do 8 de Janeiro. A sessão avançou após longos embates, protestos da oposição e tentativas frustradas do governo para barrar a votação. Com isso, o texto segue imediatamente para o Senado.
O que muda: penas menores e progressão mais rápida
O projeto transforma o modo como o Judiciário calcula as condenações. Assim:
- Os crimes deixam de somar penas entre si, e prevalece apenas o crime mais grave — a tentativa de golpe de Estado, com pena entre 4 e 12 anos.
- A progressão de regime fica mais rápida, já que o condenado pode avançar após cumprir 1/6 da pena, e não mais 1/4.
- Dias de trabalho e estudo passam a contar para reduzir o tempo total de prisão.
Como resultado, as condenações diminuem e o tempo para deixar o regime fechado fica significativamente menor.
Como Bolsonaro entra nesse cenário
O projeto afeta diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado em setembro a 27 anos e 3 meses. Com a nova regra, o cálculo passa a considerar apenas a pena maior, o que reduz o total para aproximadamente 20 anos.
Além disso, com a progressão acelerada prevista pelo PL, Bolsonaro pode sair do regime fechado em cerca de dois anos e quatro meses, segundo estimou o relator Paulinho da Força. Antes, a previsão técnica indicava permanência até 2033.
Outros condenados também sentem o impacto
As mudanças alcançam:
- Ex-ministros;
- Ex-comandantes militares;
- Assessores;
- Manifestantes condenados por participação nos atos.
E mais: quem participou dos protestos no chamado “contexto de multidão” pode receber redução de 1/3 a 2/3 da pena, desde que não tenha financiado ou liderado o movimento.
Assim, o PL reconfigura o cenário penal de centenas de réus.
Tumulto, protestos e clima de confronto
O dia que antecedeu a aprovação teve confusão no plenário. O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) subiu à cadeira da Presidência em protesto e acabou removido à força pela Polícia Legislativa. Em seguida, jornalistas deixaram o local e a transmissão da TV Câmara caiu repentinamente.
Mesmo diante do tumulto, o presidente Hugo Motta manteve a votação. A esquerda chamou o movimento de “ataque à democracia” e criticou a forma como o tema entrou na pauta.
A oposição, por outro lado, mobilizou sua bancada e comemorou o avanço, especialmente após o próprio Flávio Bolsonaro pedir empenho pela aprovação.
Imprensa internacional repercute decisão
Jornais do Uruguai, França, Suíça, Argentina e Estados Unidos repercutiram imediatamente o resultado. A maioria destacou:
- O potencial de redução drástica da pena de Jair Bolsonaro;
- O tumulto no plenário;
- A relevância política do texto às vésperas do ano eleitoral.
Assim, a aprovação ganhou contornos globais.
Próximos passos: Senado, Lula e STF
O Senado recebe o texto já na próxima semana, com relatoria do senador Esperidião Amin, que deve apresentar parecer rapidamente.
Se o Senado aprovar:
- O texto vai para sanção ou veto de Lula.
- Caso haja veto, o Congresso pode derrubá-lo.
- O STF recalculará as penas conforme a nova lei.
Portanto, apesar da vitória expressiva na Câmara, ainda existe um caminho político e jurídico a ser percorrido.
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