CAMPANHA NACIONAL COBRA ACESSO A MEDICAMENTOS CONTRA A OBESIDADE NO SUS
No Brasil, 68% da população está acima do peso e 31% já vive com obesidade
Divulgação/Internet
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) lançou, em setembro, uma campanha nacional para a inclusão de medicamentos contra a obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS).
A iniciativa conta com o apoio de entidades médicas como a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (ABESO), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), entre outras.
Em comunicado, a SBEM explicou que o objetivo é mobilizar a sociedade, conscientizar autoridades e pressionar por políticas públicas que garantam acesso a tratamentos adequados, especialmente medicamentos, na rede pública.
Apesar de a obesidade ser reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença crônica multifatorial, ela continua sendo uma das poucas condições sem tratamento medicamentoso disponível no SUS.
“Enquanto pacientes com hipertensão, diabetes, asma ou dislipidemia têm acesso gratuito a medicamentos, quem vive com obesidade não dispõe de nenhuma alternativa terapêutica na rede pública”, afirmou a SBEM.
A entidade destacou que, até hoje, nenhum fármaco para perda de peso foi incorporado ao SUS, incluindo os agonistas GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”.
Nos últimos cinco anos, quatro medicamentos para obesidade, orlistate, sibutramina, liraglutida e semaglutida , foram avaliados pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e tiveram sua incorporação negada.
Números da obesidade no Brasil
Segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2025, da Federação Mundial da Obesidade (WOF), 31% dos adultos brasileiros têm obesidade e 68% apresentam sobrepeso, o que significa que quase sete em cada 10 vivem com excesso de peso.
As projeções indicam que, se nenhuma ação for tomada, até 2044 quase metade da população adulta do país (48%) estará obesa.
O estudo aponta ainda que mais de 60 mil mortes prematuras no Brasil estão ligadas ao sobrepeso e à obesidade, devido à associação com doenças crônicas como diabetes tipo 2 e AVC.
Além do impacto na saúde, a obesidade gera custos elevados ao sistema público: levantamento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) estima que, entre 2021 e 2030, os gastos diretos do SUS com doenças relacionadas à obesidade podem chegar a US$ 1,8 bilhão, enquanto as perdas indiretas, como anos de vida produtiva, podem atingir US$ 20 bilhões.