CASO DE SARAMPO EM BEBÊ EXPÕE RISCO DA BAIXA COBERTURA VACINAL
Imunização em massa protege quem ainda não pode ser vacinado
📷: SESA
A confirmação de um caso de sarampo em uma bebê de apenas seis meses, em São Paulo, na última semana, reacendeu o alerta sobre a importância da vacinação. Manter altos índices de imunização é essencial para proteger especialmente aqueles que ainda não podem receber a vacina.
Por ter menos de um ano, a criança ainda não estava apta a ser vacinada. Pelo calendário do Sistema Único de Saúde, a primeira dose da tríplice viral é aplicada aos 12 meses, garantindo proteção contra sarampo, caxumba e rubéola. Já aos 15 meses, é indicada a vacina tetra viral, que reforça essa proteção e inclui também a catapora.
Segundo o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, quando a cobertura vacinal é alta, os bebês mais novos acabam protegidos de forma indireta, graças à chamada “barreira coletiva”.
Ele explica que a vacina contra o sarampo possui alta eficácia, inclusive na interrupção da transmissão. Ou seja, além de evitar que a pessoa adoeça, também reduz significativamente a possibilidade de que ela transmita o vírus a outras pessoas.
O caso da bebê está relacionado a uma viagem familiar à Bolívia, país que enfrenta um surto da doença desde o ano passado. Esse cenário reforça a importância da vacinação para impedir que casos importados provoquem novos surtos no Brasil.
O sarampo é altamente contagioso, principalmente entre pessoas não vacinadas. Por isso, a imunização em massa funciona como uma barreira que dificulta a circulação do vírus. Sem essa proteção coletiva, o risco aumenta — mesmo sem sair do país — devido ao fluxo constante de pessoas vindas de regiões com surto.
Em 2023, cerca de 92,5% das crianças receberam a primeira dose da vacina, mas apenas 77,9% completaram o esquema dentro do prazo recomendado, o que acende um sinal de atenção.
Proteção ao longo da vida
Quando a vacinação é feita no tempo correto, a proteção tende a durar por toda a vida. No entanto, quem não possui comprovação vacinal deve se imunizar: pessoas entre 5 e 29 anos precisam de duas doses, com intervalo de um mês, enquanto aquelas de 30 a 59 anos devem receber uma dose. A vacina não é indicada para gestantes e indivíduos com o sistema imunológico comprometido.
Este foi o primeiro caso registrado no país neste ano. Em 2023, foram confirmadas 38 infecções, a maioria importada. Ainda assim, o Brasil mantém o certificado de eliminação do sarampo, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde em 2024, já que não há transmissão contínua da doença no território nacional.
Vale lembrar que o país já havia conquistado esse reconhecimento em 2016, mas perdeu o status em 2019 após surtos iniciados por casos vindos do exterior.
Situação nas Américas
O cenário nas Américas preocupa. Em 2023, foram registrados 14.891 casos em 14 países, com 29 mortes. Já em 2024, até o início de março, mais de 7 mil casos já haviam sido confirmados — quase metade do total do ano anterior em apenas dois meses. Os países mais afetados são México, Estados Unidos e Guatemala.
De acordo com especialistas, a maioria dos casos ocorre em pessoas não vacinadas, principalmente em crianças menores de um ano. Ao contrário do que muitos pensam, o sarampo não é uma doença leve. Em média, há um óbito a cada mil casos, mas esse índice tem sido ainda maior recentemente. As complicações mais comuns incluem pneumonia e problemas neurológicos, como encefalite.
Os principais sinais da doença são febre alta e manchas vermelhas pelo corpo, além de sintomas como tosse, coriza, irritação nos olhos e mal-estar.
Outro ponto de atenção é que o sarampo pode comprometer o sistema imunológico por meses após a infecção, deixando o organismo mais vulnerável a outras doenças, que também podem ser graves.