CHINA REAGE A PROPOSTA MEXICANA DE TARIFA DE 50% SOBRE CARROS IMPORTADOS
Pequim classificou medida como coerção e alertou que pode tomar medidas para proteger seus interesses comerciais.
📷 Reprodução: Johannes Eisele/Getty Images
A China manifestou forte oposição à proposta do governo mexicano de impor uma tarifa de 50% sobre a importação de automóveis leves chineses. A medida, apresentada em um projeto de lei no Congresso mexicano, foi classificada por Pequim como uma forma de coerção econômica.
Em comunicado divulgado nesta quinta-feira,11, o governo chinês afirmou que valoriza o desenvolvimento das relações bilaterais com o México e espera que os Estados Unidos sigam a mesma linha de equilíbrio nas relações comerciais. Segundo o Ministério do Comércio chinês, o país é contra o protecionismo e qualquer forma de discriminação no comércio internacional, além de rejeitar ações unilaterais que possam afetar seus interesses legítimos.
“O governo chinês protegerá firmemente seus direitos com base na situação atual”, afirmou a nota oficial.
A proposta mexicana visa sobretaxar produtos vindos de países com os quais o México não mantém acordos comerciais. A iniciativa surge em meio à crescente pressão dos Estados Unidos por uma política comercial mais restritiva em relação à China.
Atualmente, o país asiático é o maior exportador para o México entre os que não possuem acordos comerciais em vigor. O setor automotivo seria um dos mais impactados pela mudança: somente em 2024, as vendas de veículos leves chineses para o mercado mexicano cresceram quase 10%.
De acordo com dados do setor, empresas da China passaram de praticamente zero exportações de carros para o México há dez anos para ocupar 30% do mercado de veículos leves em 2024.
Além da China, o projeto de lei prevê a aplicação de tarifas semelhantes a produtos vindos da Coreia do Sul, Índia, Indonésia, Rússia, Tailândia e Turquia, países que também não possuem acordo comercial com o México. Outros setores afetados seriam o têxtil e o de vestuário, onde as tarifas também podem chegar a 50%, o que pode prejudicar grandes marcas chinesas que atuam no e-commerce.