COMÉRCIO ILEGAL DE CANETAS EMAGRECEDORAS CRESCE NO BRASIL E ACENDE ALERTA SANITÁRIO

Comércio ilegal de canetas emagrecedoras cresce no Brasil; Anvisa alerta para riscos graves à saúde com produtos falsificados vendidos pela internet.

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Foto: Reprodução / internet

21/01/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

Nas últimas décadas, a obesidade avançou de forma acelerada em todo o mundo e passou a pressionar sistemas de saúde. Nesse cenário, medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida ganharam espaço nos tratamentos médicos. Ao mesmo tempo, o comércio ilegal desses produtos cresceu no Brasil e ampliou os riscos à saúde pública.

Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que a obesidade quase dobrou nos últimos 40 anos. Além disso, apenas em 2024, a condição esteve associada a cerca de 3,7 milhões de mortes. Diante disso, especialistas projetam que o número de pessoas com obesidade pode dobrar até 2030, o que impulsiona a busca por soluções rápidas e fora do acompanhamento médico.

Uso médico reconhecido e distorção no consumo

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou, em janeiro de 2023, o Wegovy, medicamento à base de semaglutida, para o tratamento de obesidade e sobrepeso com comorbidades. Paralelamente, a mesma substância já integrava o Ozempic e o Rybelsus, indicados para diabetes tipo 2.

Mais tarde, a Anvisa registrou a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, em 2023. Em seguida, em junho de 2025, a agência ampliou a indicação do medicamento para obesidade. Nesse contexto, médicos reconhecem esses fármacos como seguros quando há prescrição e compra em farmácias regularizadas.

Por outro lado, a venda pela internet e o uso sem orientação profissional passaram a expor consumidores a riscos graves.

Venda irregular cresce nas redes sociais

Com o avanço da demanda, perfis em redes sociais, clínicas de estética e centros de bem-estar passaram a anunciar canetas emagrecedoras com promessas de emagrecimento rápido. Essa prática, no entanto, viola as normas sanitárias brasileiras.

Segundo o Conselho Regional de Farmácia de São Paulo, 77% da população utiliza medicamentos sem prescrição médica. Além disso, o ambiente digital potencializa esse comportamento. Dados da Comscore colocam o Brasil entre os países que mais consomem redes sociais e que mais buscam por Ozempic e Mounjaro na internet.

Nesse mesmo contexto, estudos apontam um aumento de 35% no consumo irregular de canetas emagrecedoras, especialmente entre mulheres jovens, impulsionado pela facilidade de compra online.

Produtos falsificados ampliam riscos à saúde

Além do uso inadequado, a baixa qualidade dos produtos vendidos ilegalmente agrava o problema. Pesquisadores analisaram semaglutida comercializada por farmácias online irregulares e identificaram falhas em até 63% dos critérios de qualidade.

Além disso, os testes revelaram frascos com quantidades divergentes do rótulo e pureza do princípio ativo entre 7,7% e 14,37%, muito abaixo dos 99% anunciados. Somado a isso, todas as amostras continham endotoxinas capazes de provocar reações adversas, mesmo sem a presença de bactérias vivas.

Consumidores ignoram critérios de segurança

Outro fator que preocupa autoridades envolve o comportamento dos consumidores. Pesquisa do Conselho Federal de Farmácia, em parceria com o Datafolha, mostrou que menos de 5% das pessoas consideram o registro na Anvisa ao comprar medicamentos para emagrecimento pela internet.

Em contrapartida, 54% priorizam promessas de resultados rápidos. Comentários em redes sociais influenciam 24% das decisões. Além disso, quase metade ignora a regularidade do fabricante e do produto, enquanto cerca de 70% sequer conferem o número de registro na embalagem.

Apreensões reforçam alerta das autoridades

Enquanto isso, forças policiais intensificaram ações contra o comércio ilegal. Em Goiás, a Polícia Civil desarticulou um esquema de venda irregular do Mounjaro. Já em Minas Gerais, a Polícia Militar Rodoviária apreendeu 236 ampolas avaliadas em cerca de R$ 300 mil, adquiridas no Paraguai.

Muitos consumidores acreditam que compram apenas versões contrabandeadas do medicamento original. Na prática, autoridades encontram produtos falsificados e sem qualquer controle sanitário.

Além disso, pesquisas associam o uso indiscriminado dessas substâncias a efeitos adversos que vão desde sintomas gastrointestinais até complicações graves, como retinopatia, alterações hormonais e aumento do risco de câncer.

Fabricantes e Anvisa reforçam alertas

Diante desse cenário, fabricantes intensificaram os alertas. A Eli Lilly informou que produtos do Paraguai que alegam conter tirzepatida não equivalem ao Mounjaro e já provocaram reações adversas graves. A Novo Nordisk reforçou que detém exclusivamente os registros para medicamentos à base de semaglutida no Brasil e não autoriza repasses para farmácias de manipulação.

Paralelamente, a Anvisa proibiu a venda de canetas de tirzepatida das marcas Synedica e TG e vetou produtos à base de retatrutida, ainda em fase de estudos clínicos. Por meio da Nota Técnica nº 200/2025, a agência esclareceu que apenas medicamentos registrados oferecem segurança comprovada.

Até março de 2024, a FDA, dos Estados Unidos, registrou mais de 100 notificações de eventos adversos associados a versões falsificadas de semaglutida e tirzepatida, incluindo hospitalizações e mortes.

Desinformação amplia o problema

Por fim, as redes sociais se consolidaram como o principal vetor de desinformação. Vídeos virais e anúncios disfarçados de orientação médica promovem soluções rápidas sem respaldo científico.

Especialistas alertam que a circulação de medicamentos não aprovados compromete a farmacovigilância, dificulta o rastreamento de efeitos adversos e amplia riscos evitáveis à saúde pública.

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