CONSUMO DE ULTRAPROCESSADOS PELO PAI PODE INFLUENCIAR PESO E GORDURA CORPORAL DO BEBÊ, APONTA ESTUDO
Pesquisa realizada pela USP reforça a importância da alimentação paterna antes da concepção
📷: Reprodução / Internet
O consumo de alimentos ultraprocessados pelos pais pode influenciar a saúde dos filhos antes mesmo do início da gestação. É o que aponta um estudo realizado com 43 grupos de pais, mães e recém-nascidos atendidos na rede pública de saúde de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.
Segundo a pesquisa, quanto maior o consumo de alimentos ultraprocessados pelos homens, maior o peso ao nascer e maior o acúmulo de gordura na coxa e na região suprailíaca, conhecida popularmente como “pneuzinho”, dos bebês.
Os pesquisadores alertam que o alto peso ao nascer e o excesso de gordura corporal logo no início da vida estão associados a um maior risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares e metabólicas na fase adulta.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) e é o primeiro a demonstrar, em humanos, a associação entre o consumo paterno de alimentos ultraprocessados e a composição corporal dos recém-nascidos.
A hipótese levantada pelos pesquisadores é que uma dieta rica em ultraprocessados provoque um ambiente inflamatório no organismo, comprometendo a qualidade dos espermatozoides e alterando a expressão de genes transmitidos ao bebê. Essas alterações podem influenciar diretamente o desenvolvimento fetal.
Entre os alimentos classificados como ultraprocessados estão refrigerantes, bebidas açucaradas, embutidos, biscoitos recheados e salgadinhos industrializados.
Embora tenha analisado apenas 43 famílias, o estudo é considerado pioneiro e abre caminho para novas pesquisas sobre a influência da alimentação paterna na saúde dos filhos.
A pesquisa integra um projeto maior, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que investiga como os hábitos alimentares de mães e pais influenciam a saúde dos bebês.
Para os pesquisadores, os resultados reforçam a necessidade de incluir os homens nas orientações sobre alimentação saudável e planejamento familiar, já que os cuidados com a saúde do bebê começam antes mesmo da concepção.