CONTA DE LUZ CONTINUARÁ COM BANDEIRA AMARELA EM JUNHO

Aneel manteve cobrança extra por causa do período seco e do maior acionamento de usinas termelétricas

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Foto: Reprodução / Internet

30/05/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

A conta de luz continuará mais cara em junho. A Agência Nacional de Energia Elétrica, a Aneel, informou que a bandeira tarifária permanecerá amarela pelo segundo mês seguido. Com isso, os consumidores conectados ao Sistema Interligado Nacional terão cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

A decisão ocorre por causa do avanço do período seco no país. Com menos chuvas, a geração das hidrelétricas fica menor. Dessa forma, o sistema precisa acionar mais usinas termelétricas, que têm custo de produção mais elevado.

De janeiro a abril, a bandeira tarifária permaneceu verde, sem cobrança extra. No entanto, em maio, a Aneel acionou a bandeira amarela, e a situação será mantida também em junho.

Período seco aumenta custo da energia

Segundo a Aneel, a manutenção da bandeira amarela reflete condições menos favoráveis para a geração de energia elétrica. Durante o período seco, os reservatórios recebem menor volume de água, o que reduz a capacidade de produção das hidrelétricas.

Por isso, o Operador Nacional do Sistema Elétrico precisa usar fontes mais caras para garantir o abastecimento. Entre elas, estão as usinas termelétricas, que funcionam com combustíveis como gás natural, óleo combustível e carvão.

Consequentemente, o custo da geração aumenta e parte dessa pressão chega à conta dos consumidores por meio das bandeiras tarifárias.

Como funciona o sistema de bandeiras

Criado em 2015, o sistema de bandeiras tarifárias indica o custo real da geração de energia no país. A cada mês, as condições do sistema são avaliadas, e a bandeira é definida de acordo com o custo previsto para produzir eletricidade.

Quando a bandeira é verde, não há cobrança adicional. Já nas bandeiras amarela e vermelha, o consumidor paga um valor extra a cada 100 kWh consumidos.

Atualmente, os valores são:

Bandeira verde: sem cobrança adicional
Bandeira amarela: acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh
Bandeira vermelha patamar 1: acréscimo de R$ 4,46 a cada 100 kWh
Bandeira vermelha patamar 2: acréscimo de R$ 7,87 a cada 100 kWh

Assim, uma residência que consome 200 kWh no mês pagará cerca de R$ 3,77 extras com a bandeira amarela. Já um imóvel com consumo de 500 kWh terá acréscimo de aproximadamente R$ 9,42.

Energia segue pressionando a inflação

Além de impactar diretamente o orçamento das famílias, a energia elétrica também influencia a inflação. Em maio, a conta de luz apareceu entre os principais fatores de pressão sobre a prévia da inflação oficial.

Com a bandeira amarela mantida em junho, a energia continua no radar dos indicadores de preços. Embora o valor extra pareça pequeno em contas individuais, o efeito se espalha pela economia porque atinge consumidores residenciais, comércio, serviços e indústria.

Além disso, empresas com alto consumo de eletricidade podem repassar parte do aumento aos preços de produtos e serviços. Por isso, a manutenção da bandeira amarela reforça a preocupação com os custos durante a estação seca.

Consumidor deve ficar atento ao consumo

A Aneel reavalia mensalmente as condições de geração de energia. Portanto, a bandeira pode mudar nos próximos meses, dependendo do comportamento das chuvas, do nível dos reservatórios e da necessidade de acionamento das termelétricas.

Enquanto isso, o consumidor pode reduzir o impacto da cobrança extra com medidas simples de economia. Entre elas, estão evitar banhos longos, usar menos aparelhos de alto consumo, aproveitar a luz natural e retirar equipamentos da tomada quando não estiverem em uso.

Mesmo com a bandeira amarela, o cenário ainda é menos crítico do que nas bandeiras vermelhas. No entanto, a cobrança extra serve como alerta para o aumento dos custos de geração de energia no país.

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