COPA DO MUNDO COMEÇA COM RECORDE DE SELEÇÕES, NOVAS REGRAS E CLIMA DE DESPEDIDA
Mundial de 2026 será disputado em três países, terá 48 seleções, 104 jogos e pode marcar a última Copa de grandes astros do futebol
Foto: Reprodução / Internet
A Copa do Mundo de 2026 começa nesta quinta-feira com a maior edição da história do torneio. Pela primeira vez, a competição será disputada em três países: México, Estados Unidos e Canadá. Além disso, o Mundial terá recorde de seleções, jogos, estádios e dias de duração.
A partida de abertura será entre México e África do Sul, no Estádio Cidade do México, o antigo Azteca. O confronto está marcado para as 16h, depois da cerimônia de abertura.
Com o novo formato, a Copa passa a reunir 48 seleções. Ao todo, serão 1.248 jogadores, considerando os elencos com 26 atletas. A competição também terá 104 partidas, contra 64 até a edição de 2022, e duração de 39 dias.
Estádio Azteca faz história
O Estádio Cidade do México será novamente palco de um momento histórico. O antigo Azteca se torna o primeiro estádio a receber três aberturas de Copa do Mundo.
Antes de 2026, o local já havia sido palco da abertura dos Mundiais de 1970 e 1986. Agora, volta ao centro das atenções no jogo inaugural entre México e África do Sul.
A final da Copa está marcada para 19 de julho, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos.
Novo formato aumenta fase eliminatória
A ampliação para 48 seleções também muda o caminho até o título. Agora, a fase de grupos terá 12 grupos.
Os dois primeiros colocados de cada chave avançam, além dos oito melhores terceiros colocados. Dessa forma, a fase eliminatória passa a ter uma rodada anterior às oitavas de final, os chamados 16-avos.
Com isso, a Copa ganha mais jogos, mais seleções envolvidas na disputa e um mata-mata mais longo.
Cerimônia terá shows e protestos
A cerimônia de abertura no México contará com apresentações musicais antes da bola rolar. Entre os artistas previstos estão Shakira, Burna Boy, Alejandro Fernández, Belinda, Danny Ocean e J Balvin.
Além disso, como a competição acontece em três países, Canadá e Estados Unidos também terão cerimônias próprias antes dos primeiros jogos em seus territórios.
Em Toronto, estão previstos shows de nomes como Michael Bublé e Alanis Morissette. Já em Los Angeles, a cerimônia terá Katy Perry como atração principal e participação da brasileira Anitta.
No entanto, a abertura no México também deve ocorrer sob protestos. Organizações sociais, sindicais e de direitos humanos prometem manifestações na Cidade do México. Entre os principais grupos estão professores que cobram mudanças na previdência da categoria e uma reforma educacional.
Tensões políticas cercam o Mundial
A Copa também começa em meio a tensões políticas. Um dos principais focos envolve a presença do Irã, em meio ao conflito com os Estados Unidos e Israel.
A seleção iraniana ficou hospedada e treinou em Tijuana, no México, mesmo com jogos previstos nos Estados Unidos. De acordo com as informações divulgadas, a delegação só pode cruzar a fronteira no dia anterior a cada partida e precisa retornar ao território mexicano depois dos jogos.
Além disso, funcionários da Federação Iraniana de Futebol tiveram vistos rejeitados, incluindo dirigentes e integrantes da comissão técnica. A federação também informou que os Estados Unidos revogaram a cota de ingressos destinada a torcedores iranianos.
O Irã avisou à Fifa que seus jogadores estão orientados a abandonar partidas caso ocorram protestos políticos contra o país durante os jogos.
Protocolos americanos geram críticas
A delegação iraniana não foi a única a enfrentar dificuldades nos protocolos de entrada nos Estados Unidos.
O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan foi impedido de entrar no país. Além disso, o atacante iraquiano Aymen Hussein passou por interrogatório de sete horas ao chegar aos Estados Unidos.
Delegações visitantes também relataram revistas rigorosas, inclusive com cães farejadores. Dessa forma, questões migratórias e de segurança passaram a fazer parte do ambiente da competição antes mesmo da abertura.
Copa terá novas regras
Dentro de campo, a Copa do Mundo também marca a estreia de novas regras. A principal mudança envolve a ampliação do uso do VAR.
O árbitro de vídeo não ficará limitado apenas a lances de gol, pênalti, cartão vermelho direto e erro de identificação de jogador. Agora, o VAR também poderá corrigir aplicação incorreta de segundo cartão amarelo e marcação errada de escanteio no lugar de tiro de meta.
Além disso, a competição terá medidas para combater a cera e aumentar o tempo de bola rolando.
Medidas contra a cera
As novas regras estabelecem limite de tempo para algumas ações. O jogador terá cinco segundos para cobrar lateral e cinco segundos para cobrar tiro de meta. Caso descumpra o tempo no lateral, o árbitro reverte a cobrança. No tiro de meta, a punição será escanteio para o adversário.
Nas substituições, o atleta terá 10 segundos para deixar o campo, exceto em caso de lesão evidente. Se o jogador demorar, o substituto só poderá entrar após 60 segundos, deixando a equipe temporariamente com um jogador a menos.
Além disso, atletas atendidos pela equipe médica precisarão ficar um minuto fora de campo antes de retornar. Jogadores também não poderão se aproximar do banco de reservas enquanto o goleiro recebe atendimento.
Cartões também terão novas orientações
A Copa também terá mudanças disciplinares. Jogadores poderão receber cartão vermelho se cobrirem a boca com a mão, o braço ou a camisa durante discussões com adversários.
Além disso, atletas e membros de comissão técnica também poderão ser expulsos caso abandonem o campo em sinal de protesto contra decisões da arbitragem.
Com isso, a Fifa tenta reduzir reclamações, atrasos e atitudes consideradas antidesportivas durante as partidas.
Brasil busca o hexa com Ancelotti
A Seleção Brasileira chega à Copa em busca do sexto título mundial. Campeão em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, o Brasil vive jejum de 24 anos sem levantar a taça.
Agora, a equipe inicia um novo capítulo sob comando de Carlo Ancelotti, técnico multicampeão que estreia em Copas dirigindo uma seleção nacional.
O Brasil está no Grupo C e estreia contra Marrocos, neste sábado, às 19h. Depois, enfrenta o Haiti, no dia 19, às 21h30, e fecha a primeira fase contra a Escócia, no dia 24, às 19h.
Caso avance como primeiro ou segundo colocado, a Seleção enfrentará uma equipe do Grupo F, que reúne Holanda, Japão, Suécia e Tunísia. Se passar como uma das melhores terceiras colocadas, poderá encarar o líder dos grupos A, E ou I.
Favoritas entram pressionadas
A França chega como uma das principais candidatas ao título. Campeã em 2018 e vice em 2022, a seleção francesa tem elenco estrelado e nomes como Mbappé, Dembélé e Olise.
A Espanha também aparece entre as favoritas. Atual campeã da Eurocopa, a equipe conta com o jovem Lamine Yamal, uma das grandes promessas do futebol mundial.
Já a Argentina começa a competição como atual campeã do mundo e líder do ranking da Fifa. Com Messi ainda no elenco, os argentinos tentam defender o título conquistado em 2022.
O Brasil, por outro lado, não aparece entre os favoritos principais, por causa da fase recente de instabilidade. Mesmo assim, o peso da camisa e a busca pelo hexa mantêm a Seleção entre as equipes que não podem ser descartadas.
Copa pode marcar despedidas históricas
Além do novo formato, a Copa de 2026 também carrega um clima de despedida. Para vários jogadores que marcaram época, este pode ser o último Mundial da carreira.
O México pode ver a última Copa de Guillermo Ochoa, goleiro que virou personagem marcante do torneio ao longo das últimas décadas. Aos 40 anos, ele tenta viver em casa um último capítulo pela seleção mexicana.
Ver essa foto no Instagram
Na Alemanha, Manuel Neuer também aparece nessa lista. Campeão mundial em 2014, o goleiro voltou à seleção para mais uma disputa e pode encerrar sua trajetória em Copas nesta edição.
Outro nome simbólico é Luka Modrić. Aos 40 anos, o croata chega para sua quinta Copa, depois de ter levado a Croácia à final em 2018 e ao terceiro lugar em 2022.
Geração de craques vive reta final
A lista de possíveis despedidas também inclui James Rodríguez, destaque da Colômbia na Copa de 2014, e Kevin De Bruyne, principal referência técnica da Bélgica.
Além deles, nomes como Son Heung-min, da Coreia do Sul, Mohamed Salah, do Egito, Sadio Mané, do Senegal, Riyad Mahrez, da Argélia, e Virgil van Dijk, da Holanda, também chegam ao torneio com status de líderes de suas seleções e podem disputar a última Copa da carreira.
Enquanto isso, a nova geração também ganha espaço. Lamine Yamal, da Espanha, Désiré Doué, da França, e Endrick, do Brasil, aparecem entre os jovens que chegam com expectativa de protagonismo.
Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar concentram holofotes
No fim, três nomes carregam o maior peso simbólico desta Copa: Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar.
Messi chega como campeão do mundo e pode disputar sua última Copa pela Argentina. Depois de conquistar o título que faltava em 2022, o camisa 10 tenta encerrar a trajetória em Mundiais em alto nível.
Ver essa foto no Instagram
Cristiano Ronaldo, por sua vez, ainda busca o título que falta com Portugal. Aos 41 anos, o atacante deve disputar sua sexta Copa e terá uma última chance de conquistar a taça mais importante do futebol.
Ver essa foto no Instagram
Já Neymar chega à Copa como principal nome brasileiro da última década. Depois de lesões, dúvidas físicas e retorno à Seleção, o atacante pode ter a última oportunidade de tentar liderar o Brasil rumo ao hexa.
A Copa começa com recordes, novas regras, tensões políticas e promessas de grandes jogos. Mas também começa com uma pergunta que atravessa o torneio: será a última dança de alguns dos maiores craques da história?
Para saber mais sobre o mundo dos esportes basta acessar o Rede Fonte News