DÉFICIT COMERCIAL DOS EUA DISPARA EM NOVEMBRO E REGISTRA MAIOR ALTA EM QUASE 34 ANOS
Déficit comercial dos EUA dispara em novembro, sobe 94,6% e atinge maior alta em quase 34 anos, puxado por importações ligadas à IA.
Foto: Reprodução / Internet
Em novembro, o déficit comercial dos Estados Unidos avançou de forma expressiva e registrou a maior alta em quase 34 anos, impulsionado, sobretudo, pelo crescimento acelerado das importações de bens de capital, em um contexto de forte expansão dos investimentos em inteligência artificial.
Como resultado, o saldo negativo do comércio exterior norte-americano passou a pressionar as expectativas de crescimento da economia no quarto trimestre.
Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos, o déficit aumentou 94,6% em relação a outubro, alcançando US$ 56,8 bilhões.
A variação percentual representou o maior salto desde março de 1992. Economistas consultados pela Reuters projetavam um resultado bem menor, em torno de US$ 40,5 bilhões, o que reforça a surpresa negativa do indicador.
Importações sobem com força e atingem nível recorde
Por um lado, as importações cresceram 5% em novembro, totalizando US$ 348,9 bilhões, movimento que ajudou a ampliar significativamente o déficit comercial. Dentro desse grupo, as importações de bens avançaram 6,6%, chegando a US$ 272,5 bilhões.
Nesse contexto, os bens de capital lideraram a alta. As compras dessa categoria aumentaram US$ 7,4 bilhões, atingindo um recorde histórico, puxadas principalmente pelas importações de computadores e semicondutores, itens diretamente ligados à expansão de centros de dados e à adoção de tecnologias de inteligência artificial.
Ao mesmo tempo, porém, as importações de acessórios para computadores recuaram US$ 3 bilhões, o que mostra oscilações internas dentro do próprio setor tecnológico.
Além disso, as importações de bens de consumo também alcançaram o maior patamar da série, com crescimento de US$ 9,2 bilhões, impulsionadas principalmente por produtos farmacêuticos.
Segundo analistas, as fortes oscilações nesse segmento refletem, em parte, os efeitos das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos, que alteraram fluxos comerciais ao longo do ano.
Por outro lado, as importações de suprimentos industriais caíram US$ 2,4 bilhões, atenuando parcialmente a pressão exercida pelos demais grupos.
Exportações recuam e ampliam o saldo negativo
Enquanto as importações avançaram, as exportações dos Estados Unidos recuaram 3,6% em novembro, totalizando US$ 292,1 bilhões, movimento que contribuiu diretamente para o aumento do déficit.
As exportações de bens apresentaram queda ainda mais acentuada, de 5,6%, ao atingirem US$ 185,6 bilhões. Esse desempenho negativo ocorreu, sobretudo, devido à redução de US$ 6,1 bilhões nas exportações de suprimentos e materiais industriais.
Nesse grupo, as vendas externas de ouro não monetário, outros metais preciosos e petróleo bruto registraram retração relevante, afetando o resultado geral das exportações no mês.
Além disso, as exportações de bens de consumo também diminuíram, com queda de US$ 3,1 bilhões, refletindo principalmente o recuo nas remessas de produtos farmacêuticos.
Déficit de bens avança, enquanto serviços têm desempenho misto
Como consequência direta desses movimentos, o déficit comercial de bens aumentou 47,3%, alcançando US$ 86,9 bilhões em novembro.
No segmento de serviços, o cenário mostrou comportamento distinto. As importações de serviços recuaram, enquanto as exportações nessa categoria atingiram o maior nível já registrado, ajudando a limitar parcialmente a deterioração do saldo comercial total.
Ainda assim, o desempenho mais fraco do comércio exterior em novembro levantou dúvidas sobre a capacidade do setor de continuar contribuindo positivamente para o crescimento econômico.
Impacto sobre o crescimento econômico
Nos trimestres anteriores, o comércio exterior contribuiu para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no segundo e no terceiro trimestres de 2025. Entretanto, com a forte deterioração do saldo comercial em novembro, economistas passaram a revisar suas projeções para o quarto trimestre.
Segundo analistas, o avanço expressivo das importações, sem uma contrapartida equivalente das exportações, tende a reduzir a contribuição líquida do comércio para o PIB, especialmente em um momento de desaceleração gradual da economia global e de ajustes nas cadeias de suprimentos.
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