DEPENDÊNCIA DA IA CRESCE NO BRASIL E ACENDE ALERTA SOBRE PERDA DE AUTONOMIA, APONTA PESQUISA

Pesquisa revela que 63% dos brasileiros já usam inteligência artificial para escrever mensagens pessoais, indicando aumento da dependência tecnológica e alertas sobre perda de autonomia, criatividade e autenticidade nas relações humanas.

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Foto: Reprodução / Internet

12/12/2025 ◦ Por: João Vitor Barros

O uso da inteligência artificial já ultrapassou tarefas técnicas e passou a ocupar um espaço cada vez mais íntimo na rotina dos brasileiros. Segundo um estudo da consultoria Página 3, 63% das pessoas no país já pediram ajuda à IA para escrever mensagens pessoais, como conversas com amigos, familiares ou parceiros. Além disso, 49% afirmam que preferem consultar modelos de IA antes de tomar decisões importantes, em vez de buscar aconselhamento humano.

Diante desse cenário, especialistas alertam para um fenômeno que vem ganhando força: a chamada “terceirização mental”, quando o indivíduo delega à tecnologia processos que antes eram considerados intransferíveis, como pensar, decidir e se expressar.

Uso crescente e sensação de padronização

Ao mesmo tempo em que a IA se torna mais presente, cresce também a percepção de perda de originalidade. De acordo com a pesquisa, 63% dos entrevistados acreditam que as pessoas eram mais autênticas no passado. Além disso, 49% dizem já ter recebido mensagens que pareciam claramente geradas por inteligência artificial.

Esse movimento acompanha outra constatação relevante. Setenta e seis por cento dos brasileiros afirmam que está cada vez mais difícil conversar e se relacionar, enquanto 72% gostariam de ser mais autênticos em suas interações. Ou seja, mesmo desejando mais originalidade, muitos acabam recorrendo à tecnologia para se comunicar.

Alerta dos especialistas

Para Sabrina Abud, cofundadora da consultoria Página 3 e diretora do estudo, esse comportamento revela um risco crescente. Segundo ela, quando as pessoas entram em contato constante com conteúdos repetitivos, ainda que apresentados como novidade, acabam enfraquecendo a própria identidade.

“Quando tudo vira uma espiral de repetições disfarçadas de inovação, perdemos critérios, senso de realidade e força de personalidade”, afirma.

Já Georgia Reiné, também cofundadora da consultoria, reforça que o problema tende a se aprofundar. Conforme explica, o avanço dos chamados “agentes de IA” amplia a delegação não apenas da escrita, mas também da ação e do pensamento.

“Já vemos pessoas terceirizando partes inteiras do processo de pensar. Com os agentes de IA, isso pode se intensificar ainda mais”, destaca.

Profissionais do futuro: IA ou pensamento crítico?

Curiosamente, o estudo aponta uma contradição interessante. Embora muitos recorram à IA para decisões e mensagens, 60% dos entrevistados acreditam que os melhores profissionais do futuro serão aqueles capazes de analisar criticamente as informações produzidas pela tecnologia. Além disso, 49% valorizam quem sabe interpretar dados antes de agir, enquanto 39% apontam a habilidade de criar bons prompts como diferencial profissional.

Dessa forma, o levantamento indica que a sociedade reconhece o valor da IA, mas também entende que o pensamento humano segue indispensável.

Caminhos para evitar a “terceirização mental”

Segundo as autoras da pesquisa, combater a homogeneização passa por atitudes simples, porém consistentes. Entre elas estão ampliar o repertório cultural, exercitar a escrita sem auxílio tecnológico, participar de debates, manter conversas longas e se expor a opiniões diferentes.

Sabrina resume o alerta com uma imagem direta:
“Hoje, muitas pessoas veem uma tela em branco e se apavoram. Isso mostra que a dependência passou do limite.”

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