DESEMPREGO SOBE PARA 5,8% ATÉ FEVEREIRO, COM PERDA DE VAGAS EM SAÚDE, EDUCAÇÃO E CONSTRUÇÃO
Embora a taxa tenha avançado no trimestre, o indicador ainda registra o menor nível para um período encerrado em fevereiro desde 2012; além disso, renda média bateu novo recorde.
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
A taxa de desemprego no Brasil subiu para 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro de 2026, após marcar 5,2% no trimestre de setembro a novembro de 2025. Com isso, 6,2 milhões de pessoas buscaram trabalho sem sucesso no período, o que representa 600 mil a mais do que no trimestre anterior de comparação. Ainda assim, o resultado ficou 1 ponto percentual abaixo do registrado um ano antes, quando a taxa estava em 6,8%, e também marcou o menor nível para um trimestre encerrado em fevereiro desde o início da série histórica, em 2012.
Saúde, educação e construção puxam a alta
O avanço da desocupação veio acompanhado de uma queda na população ocupada. No trimestre encerrado em fevereiro, o país somou 102,1 milhões de pessoas trabalhando, o que representa recuo de 0,8%, ou 874 mil pessoas a menos, na comparação com o trimestre anterior. Por outro lado, na comparação com o mesmo período do ano passado, o contingente ainda cresceu 1,5 milhão.
Além disso, o principal recuo apareceu no grupamento de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, que perdeu 696 mil postos de trabalho. Ao mesmo tempo, a construção eliminou 245 mil vagas no período. Segundo o IBGE, esse movimento tem forte influência sazonal, especialmente no início do ano, quando muitos contratos temporários se encerram nos segmentos de educação e saúde. Já na construção, o instituto atribui a queda à menor demanda das famílias por obras e reparos nos primeiros meses do ano.
Emprego sem carteira e setor público também recuam
Entre os diferentes tipos de ocupação, o emprego com carteira assinada no setor privado ficou estável em 39,2 milhões de pessoas. Da mesma forma, o número de trabalhadores por conta própria, empregadores e trabalhadores domésticos também mostrou estabilidade no trimestre.
Por outro lado, o número de empregados do setor privado sem carteira caiu para 13,3 milhões, com redução de 342 mil pessoas. Além disso, o contingente de empregados no setor público, incluindo servidores estatutários e militares, caiu 3,7% e ficou em 12,6 milhões. Assim, a desaceleração se concentrou justamente em segmentos mais sensíveis à sazonalidade do começo do ano.
Subutilização cresce e alcança 16,1 milhões
Ao mesmo tempo em que o desemprego avançou, a taxa composta de subutilização da força de trabalho também subiu. O indicador passou de 13,5% para 14,1% no trimestre encerrado em fevereiro. Em números absolutos, isso significa que 16,1 milhões de pessoas estavam desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas ou disponíveis para trabalhar, mas fora da força de trabalho imediata. Esse contingente aumentou em 675 mil pessoas frente ao trimestre anterior.
Renda média renova recorde
Se, por um lado, o desemprego cresceu, por outro, a renda média do trabalhador voltou a subir. O rendimento real habitual de todos os trabalhos atingiu R$ 3.679 no trimestre encerrado em fevereiro, o maior valor da série histórica. Em relação ao trimestre anterior, a alta foi de 2%. Já na comparação com o mesmo período de 2025, o avanço chegou a 5,2%.
Segundo o IBGE, esse crescimento reflete a forte demanda por trabalhadores e, além disso, uma tendência maior de formalização em atividades ligadas ao comércio e aos serviços. Entre os grupamentos com aumento de rendimento, o destaque ficou com comércio e reparação de veículos, administração pública, educação, saúde e serviços sociais, além de outros serviços.
Informalidade recua levemente
Outro dado relevante da pesquisa mostra uma leve queda na taxa de informalidade. O indicador passou de 37,7% no trimestre encerrado em novembro para 37,5% no trimestre encerrado em fevereiro. Em números absolutos, o país terminou o período com 38,3 milhões de trabalhadores informais. Segundo o IBGE, essa retração ocorreu, sobretudo, por causa da queda na construção e em segmentos menos formalizados da indústria e da agricultura.
Menor taxa para fevereiro desde 2012
Apesar da alta na comparação trimestral, o IBGE destaca que o mercado de trabalho segue em patamar historicamente forte para o período. Isso porque a taxa de 5,8% registrada agora é a menor já observada para um trimestre encerrado em fevereiro desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012. Portanto, embora o começo do ano tenha trazido perda de vagas em alguns setores específicos, o nível geral do mercado de trabalho ainda supera o de anos anteriores para esse mesmo recorte do calendário.
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