ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS ATINGE NÍVEL MAIS ALTO EM 15 ANOS
O número de famílias que não conseguem pagar suas dívidas atrasadas subiu para 12,8%
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O número de famílias brasileiras com contas em atraso alcançou o nível mais alto desde o início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) desde 2010. O índice chegou a 30,4%. Entre essas famílias, 12,8% afirmam não ter condições de regularizar os débitos, percentual mais elevado desde dezembro de 2024.
O endividamento, por sua vez, manteve a trajetória de alta pelo sétimo mês consecutivo em agosto, atingindo 78,8% dos lares, maior percentual desde novembro de 2022.
Esse resultado reflete, principalmente, o encarecimento do crédito e a redução dos prazos de pagamento. O avanço da inadimplência demonstra que o atual nível de endividamento começa a ultrapassar a capacidade de pagamento das famílias. “Trata-se de um sinal de alerta relevante para a economia doméstica”, ressalta o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.
De acordo com as projeções da CNC, a expectativa é de que, até o final do ano, o endividamento cresça 3,1 pontos percentuais e a inadimplência avance 1,6 ponto. “O aumento persistente da inadimplência reforça a necessidade de fortalecer a educação financeira e estimular o uso consciente do crédito”, observa o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.
O crescimento da inadimplência foi mais evidente entre as famílias com renda acima de três salários mínimos, em especial entre aquelas que recebem mais de 10 salários.
Apesar do cenário, um dado positivo em agosto foi a redução no comprometimento médio da renda com dívidas, que passou de 29,6% no mesmo mês do ano passado para 29,3%, o menor índice desde maio de 2019.
A pesquisa também mostra que os prazos de endividamento estão cada vez mais curtos. O percentual de famílias com dívidas superiores a um ano recuou pelo oitavo mês seguido, ficando em 31%. Em contrapartida, aumentou a fatia das que possuem compromissos de três a seis meses, o que pressiona ainda mais o orçamento no curto prazo