ESTADOS UNIDOS INVESTEM R$ 3 BILHÕES EM MINERADORA BRASILEIRA ESTRATÉGICA DE TERRAS RARAS

Estados Unidos investem R$ 3 bilhões em mineradora brasileira de terras raras em Goiás, reforçando a disputa global por minerais estratégicos.

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Foto: Divulgação/Serra Verde

07/02/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

Os Estados Unidos decidiram investir cerca de R$ 3 bilhões em uma empresa brasileira considerada estratégica para a cadeia global de minerais críticos. Nesse contexto, a mineradora Serra Verde, localizada em Goiás, anunciou um financiamento de US$ 565 milhões concedido pela US International Development Finance Corporation (DFC), agência de fomento do governo americano.

Assim, o acordo reforça a importância geopolítica das terras raras pesadas, insumos essenciais para setores como defesa, indústria automotiva, eletrônica, equipamentos médicos e geração de energia renovável. Atualmente, a China domina cerca de 90% do refino global desses minerais. Por isso, Washington busca alternativas seguras e confiáveis fora da Ásia.

Produção estratégica fora da Ásia

Nesse cenário, a Serra Verde se destaca por ser a única produtora em larga escala de terras raras pesadas fora da Ásia. Entre os principais minerais extraídos estão disprósio (Dy) e térbio (Tb). Esses elementos, por sua vez, são fundamentais para a fabricação de ímãs permanentes usados em motores elétricos, turbinas eólicas e aplicações aeroespaciais.

Além do financiamento, o contrato concede ao governo dos Estados Unidos o direito de adquirir uma participação acionária minoritária na empresa. Ainda assim, segundo a mineradora, essa eventual entrada não prevê interferência direta na gestão nem no controle operacional.

Expansão da capacidade produtiva

Com os recursos, a companhia pretende refinanciar dívidas existentes e, sobretudo, acelerar a expansão da capacidade produtiva. Dessa forma, a meta é alcançar até 6.500 toneladas de Óxido Total de Terras Raras (TREO) por ano até o fim de 2027. Além disso, a empresa projeta dobrar a produção antes de 2030, acompanhando o crescimento da demanda global.

Paralelamente, a operação da Serra Verde conta com fatores considerados estratégicos. Entre eles estão o acesso a energia renovável, a disponibilidade de mão de obra qualificada e uma geologia favorável. Nesse ponto, os depósitos de argila iônica permitem uma extração com menor impacto ambiental, o que amplia a atratividade do projeto.

Relevância geopolítica e econômica

Ao mesmo tempo, o investimento ocorre em meio à intensificação da disputa global por minerais críticos. Recentemente, os Estados Unidos anunciaram pacotes bilionários para reduzir a dependência externa desses insumos estratégicos. Com isso, o Brasil passa a ocupar posição de destaque, já que possui uma das maiores reservas potenciais de terras raras do mundo.

Segundo executivos da empresa, o apoio do governo americano fortalece a competitividade internacional da Serra Verde e acelera a construção de cadeias de suprimento mais diversificadas e resilientes. Por fim, o projeto também reforça o papel de Goiás como polo emergente na mineração de minerais estratégicos, em um momento de forte tensão comercial e tecnológica entre as grandes potências globais.

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