EUA IMPULSIONAM RECORDES: BRASIL DEVE EXPORTAR 109 MILHÕES DE TONELADAS DE SOJA E CHINA IMPORTAR ATÉ 110 MILHÕES EM 2025

Brasil deve exportar 109 milhões de toneladas de soja em 2025, enquanto a China pode importar até 110 milhões, impulsionada pela política dos EUA.

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Foto: Rufino, R. R. / Embrapa

20/12/2025 ◦ Por: João Vitor Barros

Brasil e China caminham para encerrar o ano com números históricos no mercado global de soja. De um lado, o Brasil consolida sua posição como maior exportador mundial da oleaginosa. Do outro, a China amplia as compras externas, sobretudo em busca de segurança no abastecimento, diante de um cenário internacional marcado por incertezas comerciais.

Segundo dados oficiais da alfândega chinesa, o país asiático importou 104 milhões de toneladas de soja entre janeiro e novembro. Somente em novembro, as compras alcançaram 8,1 milhões de toneladas. Assim, basta uma importação de aproximadamente 6 milhões de toneladas em dezembro para que a China atinja o recorde histórico de 110 milhões de toneladas no ano.

Além disso, analistas avaliam que o volume de dezembro pode variar entre 7 e 8 milhões de toneladas, o que elevaria o total anual para até 112 milhões, superando todas as marcas anteriores.

Exportações brasileiras seguem no mesmo ritmo

Enquanto isso, o Brasil acompanha esse movimento com desempenho igualmente expressivo. De acordo com a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), o país deve encerrar o ano com 109 milhões de toneladas de soja exportadas. Os números têm como base os embarques já programados nos navios que deixam os portos brasileiros.

Dessa forma, o Brasil não apenas confirma sua liderança global, como também se beneficia diretamente da reorganização das compras chinesas no mercado internacional.

Política dos EUA influencia o mercado global

Esse cenário, por sua vez, está diretamente ligado à política comercial dos Estados Unidos. Conforme explica Daniele Siqueira, analista da AgRural, a China antecipou compras de soja americana no fim de 2024, prevendo mudanças no comércio exterior com o retorno de Donald Trump à presidência.

Como consequência, nos primeiros meses de 2025, os chineses ampliaram as importações do produto norte-americano. Até outubro, a China havia adquirido 16,8 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos, volume superior ao registrado no mesmo período de 2024.

No entanto, à medida que a política tarifária se confirmou, o cenário mudou. Assim, os chineses reduziram a dependência do mercado americano e voltaram a concentrar as compras no Brasil.

China acelera aquisições no Brasil

Até novembro, a China comprou 82,8 milhões de toneladas de soja brasileira, crescimento de 16% na comparação anual. Segundo especialistas, essa estratégia busca ampliar estoques internos e garantir maior previsibilidade no abastecimento.

Primeiro, os chineses se protegeram com compras antecipadas nos Estados Unidos. Em seguida, aceleraram as aquisições no Brasil, aproveitando preços mais competitivos e maior oferta. Como resultado, os dois países caminham para recordes simultâneos.

Concorrência pressiona produtores americanos

Com isso, produtores dos Estados Unidos começam a sentir, de forma mais clara, a concorrência da soja brasileira. O plantio da safra 2025/26 está praticamente concluído. Ainda assim, o ritmo de comercialização segue abaixo do esperado.

Por outro lado, a safra brasileira apresenta desempenho positivo. A AgRural estima uma produção de 178,5 milhões de toneladas, número que pode ser revisado para cima nas próximas avaliações, a depender do comportamento da soja tardia.

Esse ambiente de oferta elevada, portanto, pressiona os preços internacionais. Em Chicago, o primeiro contrato da soja foi negociado a US$ 10,58 por bushel, acumulando queda de 8,3% nos últimos 30 dias.

Segurança alimentar no centro da estratégia chinesa

Além das compras externas, a China também reforça sua produção interna. O país destinou 10,8 milhões de hectares no Delta do Rio Yangtze exclusivamente para a atividade agrícola. Até 2035, essas áreas permanecerão protegidas de outras utilizações.

Com isso, o governo chinês busca reduzir riscos, fortalecer a segurança alimentar e minimizar impactos de eventuais instabilidades no comércio global.

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