EXPORTAÇÕES DE CARNE BOVINA CRESCEM 50% EM NOVEMBRO E CAMINHAM PARA RECORDE HISTÓRICO EM 2025

Exportações de carne bovina crescem 50% em novembro, puxadas pela China, e Brasil pode superar US$ 18 bilhões em receitas em 2025.

agro_carne_bovina_22set25-_Vladislav-Stepanov_Getty-768x512

Foto: Reprodução / Internet

21/12/2025 ◦ Por: João Vitor Barros

As exportações brasileiras de carne bovina registraram forte avanço em novembro de 2025 e reforçaram a expectativa de um recorde histórico para o setor neste ano. Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), a receita com vendas externas cresceu 50% na comparação com o mesmo mês do ano passado, impulsionada pelo aumento dos preços internacionais, pela forte demanda da China e pela ampliação de mercados compradores.

No período, o Brasil exportou US$ 1,874 bilhão em carne bovina, considerando produtos in natura, industrializados, miudezas e subprodutos. Em volume, os embarques somaram 361,9 mil toneladas, avanço de 30% em relação a novembro de 2024. O desempenho representa o terceiro melhor resultado mensal de 2025.

Com o resultado, o acumulado de janeiro a novembro alcançou US$ 16,53 bilhões em receitas, alta de 37,5%, com 3,51 milhões de toneladas exportadas, crescimento de 19%. Como os dados de dezembro ainda não foram contabilizados, a Abrafrigo projeta que o país ultrapasse a marca de US$ 18 bilhões em exportações e se aproxime de 4 milhões de toneladas embarcadas no fechamento do ano.

China lidera compras e paga mais pela carne brasileira

A China manteve a liderança como principal destino da carne bovina brasileira em 2025. Até novembro, as vendas para o mercado chinês somaram US$ 8,029 bilhões, crescimento de 48% em valor, com embarques de 1,499 milhão de toneladas, alta de 23,6%.

Além do aumento no volume, os chineses também elevaram os preços pagos pelo produto brasileiro. O valor médio por tonelada subiu 19,5%, passando de US$ 4.482 em 2024 para US$ 5.355 em 2025. Com isso, a participação da carne bovina in natura destinada à China avançou de 51% para 54% do total exportado pelo Brasil.

De acordo com a Abrafrigo, a valorização está diretamente relacionada ao ciclo pecuário, que aponta para uma oferta mais restrita de gado, além do aumento nos custos da matéria-prima. Ainda assim, o setor acompanha com atenção a investigação de salvaguardas conduzida pelo governo chinês, que pode resultar em restrições às importações a partir de 2026.

Estados Unidos sentem impacto de tarifas, mas acumulado segue positivo

Os Estados Unidos, segundo maior comprador da carne bovina brasileira, registraram queda expressiva nas compras em novembro. As exportações de carne in natura recuaram 58,6% no mês, reflexo das tarifas adicionais aplicadas entre agosto e novembro.

Apesar disso, o acumulado de janeiro a novembro segue positivo. As vendas para o mercado norte-americano cresceram 26,6% no período, totalizando US$ 1,889 bilhão. A expectativa do setor é de retomada gradual das exportações mensais após a retirada integral das tarifas, ocorrida em dezembro.

União Europeia e outros mercados ampliam participação

A União Europeia consolidou a terceira posição entre os principais destinos da carne bovina brasileira em 2025. Entre janeiro e novembro, o bloco importou US$ 946,9 milhões e 116,3 mil toneladas, com altas de 70,9% em receita e 52% em volume. O preço médio foi um dos mais elevados do mercado, chegando a US$ 8.380 por tonelada.

Além do mercado europeu, outros países apresentaram crescimento expressivo ao longo do ano. O México mais que triplicou as compras em valor, enquanto Chile, Rússia e Indonésia também ampliaram de forma consistente as importações. Ao todo, a carne bovina brasileira chegou a 179 países em 2025, sendo que 137 aumentaram as aquisições até novembro.

Perspectivas para o setor

O desempenho robusto das exportações em 2025 reforça a posição do Brasil como maior exportador mundial de carne bovina. A combinação entre preços mais elevados, diversificação de mercados e forte demanda internacional sustenta o crescimento do setor, mesmo diante de desafios regulatórios e comerciais.

Para 2026, o cenário segue positivo, embora o mercado acompanhe com cautela questões como possíveis barreiras sanitárias, exigências ambientais mais rígidas e mudanças na dinâmica do comércio global. Ainda assim, os números de 2025 já colocam a carne bovina brasileira em um novo patamar histórico de receitas e volumes exportados.

Para saber mais sobre as noticias do Brasil e do mundo basta acessar o Rede Fonte News

Você também vai gostar de ler