FIM DO TRATADO NEW START REACENDE TEMORES DE CORRIDA NUCLEAR E PROVOCA REAÇÃO GLOBAL

Fim do tratado New START gera reação global, com alertas da ONU e apelos por diálogo entre EUA e Rússia diante do risco de nova corrida nuclear.

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Foto: Reprodução / Internet

05/02/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

O vencimento do New START, nesta quinta-feira (5), marcou o encerramento do último acordo que limitava os arsenais nucleares estratégicos de Estados Unidos e Rússia, as duas maiores potências atômicas do mundo. A expiração do tratado, portanto, abriu um novo capítulo na segurança internacional e gerou reações imediatas de governos, organismos multilaterais e líderes religiosos.

Desde então, o debate sobre uma possível corrida armamentista voltou ao centro da agenda global, especialmente porque, pela primeira vez em mais de meio século, não há limites jurídicos vinculantes para as armas nucleares estratégicas dessas duas potências.

Rússia lamenta o fim do acordo, mas adota tom de alerta

Logo após o vencimento do tratado, o Kremlin expressou pesar. O porta-voz Dmitry Peskov afirmou que Moscou enxerga o fim do New START de forma negativa. Ao mesmo tempo, autoridades russas passaram a adotar um discurso mais duro.

O vice-presidente do Conselho de Segurança russo, Dmitri Medvedev, declarou que o mundo entra em um período de maior instabilidade e alertou para a aceleração do chamado “relógio do apocalipse”. Além disso, o governo russo afirmou que está preparado para um cenário internacional sem acordos de controle de armas, embora diga que pretende agir de forma “responsável e equilibrada”.

Estados Unidos sinalizam diálogo, mas condicionam novo acordo

Do lado norte-americano, o governo ainda não divulgou uma posição oficial após o vencimento do tratado. No entanto, uma autoridade da Casa Branca afirmou à TV Globo que “haverá notícias” sobre o New START, indicando que Washington avalia alternativas.

Além disso, o secretário de Estado Marco Rubio reforçou que qualquer novo acordo precisa incluir a China. Segundo ele, o crescimento acelerado do arsenal nuclear chinês torna inviável um pacto restrito apenas a EUA e Rússia. Dessa forma, Washington defende um modelo mais amplo de negociações.

China pede retomada do diálogo e rejeita negociações trilaterais

A China lamentou publicamente o fim do tratado e demonstrou preocupação com os impactos sobre a estabilidade estratégica global. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, pediu que os Estados Unidos deem uma resposta ativa à Rússia e retomem o diálogo bilateral.

Ainda assim, Pequim reiterou que não pretende participar, neste momento, de negociações trilaterais. Segundo o governo chinês, a escala de seu arsenal nuclear permanece muito inferior à de Washington e Moscou, o que tornaria inadequada sua inclusão em um novo acordo de redução.

União Europeia e ONU pedem moderação

Na Europa, a União Europeia apelou para que todas as partes ajam com cautela. O bloco defendeu esforços diplomáticos para evitar uma escalada armamentista e preservar a estabilidade internacional.

Já o secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o momento como grave. Segundo ele, o mundo enfrenta uma situação inédita desde a Guerra Fria, sem limites formais para os arsenais nucleares estratégicos. Guterres alertou que o risco de uso de armas nucleares atinge o nível mais alto das últimas décadas.

O que foi o tratado New START

Assinado em 2010 por Barack Obama e Dmitri Medvedev, o New START entrou em vigor em 2011 e passou a limitar o número de ogivas nucleares estratégicas a 1.550 para cada país, além de impor restrições a mísseis e bombardeiros de longo alcance.

Além disso, o acordo previa inspeções mútuas anuais em instalações nucleares. No entanto, essas inspeções foram suspensas durante a pandemia de Covid-19 e nunca retomadas. Em 2021, o tratado foi prorrogado por cinco anos, mas agora chegou ao fim sem substituto formal.

Cenário incerto e pressão por um novo acordo

Com a expiração do New START, especialistas apontam que o sistema global de controle de armas entra em sua fase mais frágil desde a década de 1960. Ao mesmo tempo, novas tecnologias militares, como mísseis hipersônicos e armas nucleares táticas, aumentam a complexidade das negociações.

Diante disso, a comunidade internacional acompanha com atenção os próximos movimentos de Washington e Moscou. Enquanto alguns sinais indicam disposição para o diálogo, outros discursos reforçam a incerteza sobre o futuro da segurança nuclear global.

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