INADIMPLÊNCIA BANCÁRIA MANTÉM RECORDE MESMO APÓS DESENROLA 2.0
Taxa permaneceu em 4,7% em junho, maior nível da série histórica do Banco Central; programa de renegociação foi prorrogado até agosto
Foto: Reprodução / Internet
A taxa média de inadimplência nas operações de crédito permaneceu em 4,7% em junho, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Banco Central.
O percentual, que considera pagamentos atrasados há mais de 90 dias, repete o resultado de maio. Além disso, representa o maior nível da série histórica revisada, iniciada em março de 2011.
Nos últimos 12 meses, a inadimplência total aumentou um ponto percentual. O indicador inclui tanto os empréstimos concedidos às famílias quanto as operações contratadas pelas empresas.
Inadimplência das famílias permanece em 5,6%
Entre as pessoas físicas, a taxa permaneceu em 5,6%, também o maior patamar da série histórica do Banco Central.
Já entre as empresas, o indicador ficou estável em 3,2%. Dessa forma, a inadimplência das pessoas jurídicas permaneceu no maior nível desde novembro de 2017, quando havia atingido 3,3%.
No crédito livre destinado às famílias, por sua vez, a taxa chegou a 7,6%. Essa modalidade inclui operações como cheque especial, cartão de crédito e empréstimo pessoal, nas quais os bancos definem livremente as taxas, os prazos e as condições.
Desenrola 2.0 começou em maio
O resultado de junho ocorreu no mês seguinte ao lançamento do Novo Desenrola Brasil, também chamado de Desenrola 2.0.
O governo federal criou o programa em maio para facilitar a renegociação de débitos e reduzir a inadimplência das famílias.
Segundo o Ministério da Fazenda, o programa realizou cerca de 3,6 milhões de renegociações até o fim de junho, envolvendo mais de R$ 22 bilhões em dívidas.
Após os acordos, o saldo dessas obrigações caiu para aproximadamente R$ 4 bilhões, conforme os dados divulgados pelo governo.
Apesar das renegociações, porém, os atrasos superiores a 90 dias ainda não apresentaram redução na média do sistema financeiro.
Governo prorroga prazo para renegociação
O governo federal decidiu prorrogar a adesão ao Desenrola 2.0 até 31 de agosto.
Sem a ampliação, o prazo terminaria no início do mês. Portanto, famílias inadimplentes terão mais tempo para buscar descontos, parcelamentos e outras condições oferecidas pelos credores.
A aprovação do acordo, entretanto, depende das regras definidas pelas instituições participantes e da situação de cada dívida.
Endividamento das famílias segue elevado
O Banco Central também atualizou os dados de endividamento das famílias, que estavam disponíveis até maio.
A relação entre o saldo das dívidas e a renda acumulada em 12 meses recuou de 49,9%, em abril, para 49,8% em maio.
Embora tenha ocorrido uma redução de 0,1 ponto percentual no mês, o indicador cresceu 0,9 ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Ao mesmo tempo, o comprometimento da renda das famílias aumentou para 28,5%, avanço de 0,1 ponto percentual em relação a abril.
Instituições financeiras concentram parte das dívidas
Dados da Serasa Experian apontaram que 82,8 milhões de brasileiros estavam endividados em março, o equivalente a 49% da população.
As dívidas somavam R$ 557,7 bilhões. Além disso, 47% do valor estava concentrado em instituições financeiras, segmento que reúne parte dos débitos incluídos no Desenrola 2.0.
O Banco Central considera inadimplentes as operações com parcelas vencidas há mais de 90 dias. A próxima atualização do indicador deverá mostrar se a ampliação das renegociações começou a reduzir os atrasos no sistema financeiro.
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