INADIMPLÊNCIA BATE RECORDE HISTÓRICO COM JUROS ALTOS E AVANÇO DO CRÉDITO MAIS CARO

Inadimplência do crédito bancário chega a 4,2% em janeiro, recorde desde 2011. Juros altos, endividamento e regra do BC explicam alta.

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Foto: Reprodução / Internet

27/02/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

A inadimplência média das operações de crédito bancário chegou a 4,2% em janeiro. Assim, o indicador atingiu a maior marca da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011.

O dado considera operações com atraso superior a 90 dias. Além disso, o número já vinha em trajetória de alta ao longo de 2025.

Nos três últimos meses de 2025, a taxa ficou em 4,0%. Mesmo assim, janeiro trouxe nova piora e, por isso, renovou o pico.

Antes, o maior nível havia ocorrido em maio de 2017. Naquele período, a economia ainda sentia os efeitos da recessão.

Juros altos e endividamento elevam a pressão

Ao mesmo tempo, o ambiente de juros elevados seguiu pressionando famílias e empresas. Desde junho, o Banco Central mantém a Selic em 15% ao ano, o maior patamar em quase 20 anos.

Com isso, o crédito ficou mais caro. Consequentemente, parte dos consumidores perdeu fôlego para honrar parcelas e renegociar dívidas.

Além disso, o endividamento das famílias alcançou 49,7% em dezembro. Esse foi o maior patamar desde julho de 2022.

Enquanto isso, o comprometimento de renda chegou a 29,2%. Assim, a margem para absorver imprevistos ficou menor.

Linhas de maior risco ganham espaço

Além do custo do crédito, a composição da carteira também mudou. Em outras palavras, aumentou a participação de modalidades mais arriscadas.

Nesse grupo, entram cheque especial e rotativo do cartão. Como resultado, o risco de atraso e de “efeito bola de neve” cresce.

Segundo análises do setor, o consumidor recorre a essas linhas em situações emergenciais. Entretanto, os juros elevados nessas modalidades ampliam a dificuldade de saída.

Crédito livre puxa a alta, mas o direcionado também piora

No recorte por tipo de operação, a piora aparece com intensidades diferentes.

No crédito com recursos livres, a inadimplência subiu para 5,5% em janeiro, após 5,4% em dezembro.

Já no crédito direcionado, que inclui financiamentos como o imobiliário e o rural, a taxa foi a 2,5%, acima dos 2,2% do mês anterior.

Assim, mesmo linhas com regras mais estáveis também registraram avanço.

Mudança regulatória ajuda a explicar o salto do indicador

Ao mesmo tempo, um fator técnico influenciou a leitura do recorde. Em janeiro do ano passado, entrou em vigor a resolução 4.966, do Banco Central.

A norma alterou a forma de gestão do risco. Ou seja, o sistema saiu do modelo de perda incorrida e passou ao de perda esperada.

Além disso, a regra ampliou o prazo para os bancos baixarem créditos inadimplentes como prejuízo. Como consequência, os atrasos permanecem por mais tempo nas carteiras.

No Relatório de Política Monetária de setembro, o BC indicou que 70% do aumento observado no ano refletiu a adoção da norma. Ainda assim, os dados também mostram piora consistente mês a mês.

Sinais na margem e o que o mercado espera

Especialistas apontam que a melhor leitura aparece na “margem”. Ainda assim, os números seguem indicando deterioração.

Além disso, dados de inadimplência de consumidores também sugerem avanço de atrasos. Nesse cenário, as condições financeiras continuam como fator central.

Enquanto isso, a expectativa do mercado é que o Banco Central inicie cortes da Selic em março. Porém, os efeitos costumam aparecer de forma gradual.

Por isso, projeções apontam redução lenta no crédito livre ao longo de 2026. A melhora mais consistente, portanto, tende a depender de juros mais baixos por mais tempo e de renegociações que troquem dívidas caras por dívidas mais baratas.

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