IPCA-15 DESACELERA PARA 0,62% EM MAIO, MAS FICA ACIMA DO TETO DA META

Prévia da inflação oficial perdeu força em relação a abril, porém alimentos, energia elétrica e saúde ainda pressionaram o índice

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Foto: Reprodução / Internet

27/05/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

A prévia da inflação oficial do país perdeu força em maio. O IPCA-15 subiu 0,62%, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira (27). Em abril, o índice havia avançado 0,89%.

Mesmo assim, o resultado acumulado em 12 meses chegou a 4,64%, acima dos 4,37% observados nos 12 meses anteriores. Além disso, o índice ficou acima do teto da meta de inflação, que é de 4,5%.

No ano, o IPCA-15 acumula alta de 3,02%. Em maio de 2025, a prévia da inflação havia sido de 0,36%. Os dados consideram os preços coletados entre 16 de abril e 15 de maio.

Alimentos e habitação puxam a alta

Entre os grupos pesquisados, Alimentação e Bebidas teve a maior contribuição para o resultado geral. O grupo subiu 1,38% e adicionou 0,30 ponto percentual ao índice.

Além disso, Habitação avançou 1,03% e também pressionou a prévia da inflação. Já Saúde e Cuidados Pessoais subiu 1,05%, com impacto de produtos de higiene pessoal, medicamentos e planos de saúde.

Por outro lado, Transportes foi o único grupo com queda no mês. A retração foi de 0,33%, puxada principalmente pelo recuo dos combustíveis.

Alimentos seguem pressionando o bolso

A alimentação no domicílio desacelerou levemente, passando de 1,77% em abril para 1,73% em maio. Ainda assim, o grupo seguiu pressionado por produtos importantes no orçamento das famílias.

A batata-inglesa teve alta de 26,29%. O tomate subiu 12,97%. Já o leite longa vida avançou 6,07%, enquanto as carnes tiveram aumento de 1,98%.

Entretanto, alguns itens ajudaram a conter uma alta maior. A maçã caiu 2,32%, e o café moído recuou 2,09%.

Já a alimentação fora do domicílio também perdeu força. O grupo passou de 0,70% em abril para 0,51% em maio. Nesse caso, a refeição subiu 0,57%, enquanto o lanche avançou 0,37%.

Energia elétrica tem maior impacto individual

No grupo Habitação, o destaque foi a energia elétrica residencial, que subiu 2,16%. O item teve o maior impacto individual no IPCA-15 de maio, com 0,09 ponto percentual.

A pressão veio após a entrada em vigor da bandeira tarifária amarela, que adicionou cobrança extra de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Além disso, algumas capitais registraram reajustes nas tarifas de energia, como Fortaleza, Salvador e Recife.

Combustíveis aliviam transportes

Depois de pressionarem o índice em abril, os combustíveis ajudaram a aliviar a prévia da inflação em maio. O grupo passou de alta de 6,06% em abril para queda de 1,47% em maio.

O etanol caiu 2,73%. O óleo diesel recuou 2,04%. A gasolina, por sua vez, teve queda de 1,32%. Já o gás veicular foi na direção oposta e subiu 2,12%.

Apesar da queda nos combustíveis, as passagens aéreas voltaram a subir. O avanço foi de 3,25%, depois de queda de 14,32% em abril.

Goiânia tem a maior alta entre as áreas pesquisadas

Entre as 11 áreas pesquisadas pelo IBGE, Goiânia registrou a maior variação em maio, com alta de 1,41%. O resultado foi influenciado principalmente pelos aumentos do etanol, de 16,62%, e da gasolina, de 9,67%.

Já a menor variação ocorreu em Brasília, com alta de 0,33%. Nesse caso, o resultado teve influência dos recuos do ônibus urbano, de 3,30%, e da gasolina, de 2,96%.

Como o IPCA-15 é calculado

O IPCA-15 usa a mesma metodologia do IPCA, considerado a inflação oficial do país. No entanto, a diferença está no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica.

O indicador considera famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos. Além disso, abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.

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