IPCA SOBE 0,33% EM JANEIRO, FICA DENTRO DA META E ACUMULA 4,44% EM 12 MESES
IPCA sobe 0,33% em janeiro, acumula 4,44% em 12 meses e permanece dentro da meta. Gasolina pressiona, enquanto energia elétrica recua.
Foto: Reprodução / Internet
A inflação oficial iniciou o ano sem grandes surpresas. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,33% em janeiro, repetindo exatamente o resultado de dezembro, conforme divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Com isso, no acumulado de 12 meses, o índice atingiu 4,44%, permanecendo, portanto, dentro do intervalo de tolerância da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que estabelece centro de 3% com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Além disso, o resultado ficou praticamente alinhado às projeções do mercado financeiro. Economistas consultados estimavam alta de 0,32% no mês e de 4,43% em 12 meses, o que indica estabilidade no cenário inflacionário de curto prazo.
Gasolina pressiona; conta de luz compensa
De um lado, a gasolina subiu 2,06% e exerceu a maior pressão individual sobre o índice, respondendo por 0,10 ponto percentual do IPCA. Esse movimento ocorreu, sobretudo, em razão do reajuste do ICMS, que entrou em vigor no início do ano.
Além da gasolina, também registraram alta o etanol (3,44%), o diesel (0,52%) e o gás veicular (0,20%). Assim, o grupo de combustíveis contribuiu de maneira relevante para a inflação de janeiro.
Por outro lado, a energia elétrica residencial caiu 2,73%, gerando impacto negativo de -0,11 ponto percentual e praticamente anulando o efeito da gasolina. A redução decorreu da mudança da bandeira tarifária, que passou da amarela, em dezembro, para a verde, em janeiro, eliminando cobrança adicional nas contas.
Vale destacar que tanto a gasolina quanto a energia elétrica possuem peso elevado na estrutura do IPCA. Portanto, variações nesses dois itens costumam influenciar significativamente o resultado final.
Transportes lideram impacto do mês
Entre os nove grupos pesquisados, Transportes avançou 0,60% e apresentou o maior impacto no índice (0,12 ponto percentual).
Além dos combustíveis, o aumento de 5,14% no ônibus urbano também contribuiu para o resultado. Isso ocorreu, principalmente, devido a reajustes tarifários em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Fortaleza.
Em contrapartida, houve quedas expressivas em transporte por aplicativo (-17,23%) e passagens aéreas (-8,90%), após altas registradas no fim do ano passado. Dessa forma, o grupo apresentou movimentos compensatórios internamente.
Alimentação desacelera e registra menor janeiro em 20 anos
O grupo Alimentação e bebidas subiu 0,23%, desacelerando frente aos 0,27% observados em dezembro. Trata-se, inclusive, do menor resultado para meses de janeiro desde 2006.
A alimentação no domicílio variou apenas 0,10%. Contribuíram para esse cenário as quedas do leite longa vida (-5,59%) e do ovo de galinha (-4,48%), influenciadas pelo aumento da oferta e pela melhora nas condições de produção.
Entretanto, nem todos os alimentos ficaram mais baratos. O tomate subiu 20,52%, enquanto as carnes avançaram 0,84%, com destaque para contrafilé e alcatra. Assim, o grupo apresentou comportamento misto, mas ainda controlado.
Já a alimentação fora do domicílio registrou alta de 0,55%, com elevação maior nas refeições (0,66%).
Comunicação e Saúde também avançam
Além disso, o grupo Comunicação subiu 0,82%, sendo a maior variação entre os segmentos, impulsionado por aumentos em aparelhos telefônicos e reajustes em serviços de TV por assinatura.
Na sequência, Saúde e cuidados pessoais avançou 0,70%, com pressão de artigos de higiene e planos de saúde.
Por outro lado, além de Habitação, apenas Vestuário apresentou queda (-0,25%), contribuindo para amenizar o índice geral.
Inflação segue dentro da meta
De maneira geral, o IPCA permanece dentro da meta desde novembro. Atualmente, o regime considera períodos móveis de 12 meses, e o descumprimento só ocorre se o índice ultrapassar o intervalo por seis meses consecutivos.
Enquanto isso, o mercado financeiro projeta inflação de aproximadamente 3,97% para o encerramento do ano, segundo o Boletim Focus.
Ainda assim, analistas acompanham atentamente os preços monitorados, que acumulam alta de 7,48% em 12 meses, bem como o índice de difusão, que subiu para 64%, indicando que a alta atingiu mais itens da cesta.
Portanto, embora janeiro tenha mostrado estabilidade, o comportamento dos combustíveis, das carnes e dos preços administrados seguirá no radar nos próximos meses.
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