MERCADO REDUZ PREVISÃO DA INFLAÇÃO PARA 3,95% EM 2026, APONTA BOLETIM FOCUS

Boletim Focus: mercado reduz projeção do IPCA de 2026 para 3,95%, mantém PIB em 1,8% e prevê Selic em 12,25% no fim do ano.

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Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

19/02/2026 ◦ Por: João Vitor Barros

O mercado financeiro voltou a reduzir a estimativa para a inflação oficial do país em 2026. De acordo com o Boletim Focus, divulgado na quarta-feira (18) pelo Banco Central, a projeção do IPCA passou de 3,97% para 3,95%. Com isso, o indicador completa a sexta semana consecutiva de queda, além de permanecer dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação.

Enquanto isso, para os anos seguintes, as expectativas ficaram estáveis. Para 2027, a projeção foi mantida em 3,8%. Já para 2028 e 2029, o mercado segue apontando inflação de 3,5% em ambos os anos.

Meta de inflação e intervalo de tolerância

Além do recuo na expectativa, o dado também reforça o acompanhamento do sistema de metas definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A meta é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é de 1,5% e o superior, de 4,5%.

Nesse contexto, a leitura do Focus ocorre após o IPCA de janeiro registrar alta de 0,33%, repetindo o resultado de dezembro. Assim, o índice acumulou 4,44% em 12 meses, conforme dados do IBGE, ainda dentro do intervalo estipulado pelo CMN.

Selic permanece em 15%, mas mercado projeta queda ao longo de 2026

Ao mesmo tempo em que as projeções de inflação recuam, o mercado segue atento ao caminho dos juros. Atualmente, a taxa Selic está em 15% ao ano, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Esse patamar é o mais alto desde julho de 2006, quando a taxa chegou a 15,25% ao ano.

Apesar disso, o Focus manteve a aposta de que a Selic terminará 2026 em 12,25% ao ano. Para 2027, a projeção segue em 10,5%. Em seguida, para 2028, a expectativa é de 10% ao ano e, para 2029, de 9,5%.

Dessa forma, a leitura de mercado indica um ciclo de flexibilização gradual. Ainda assim, o comportamento da inflação, do câmbio e do cenário externo segue como variável central na definição do ritmo dessa trajetória.

Como os juros influenciam inflação e atividade

Quando o Banco Central eleva a Selic, a intenção é conter a demanda. Assim, o crédito tende a ficar mais caro, o consumo desacelera e, consequentemente, a pressão sobre os preços pode diminuir. Ao mesmo tempo, juros altos também costumam estimular a poupança e, por outro lado, reduzir o fôlego da economia.

Já quando ocorre a redução da Selic, o movimento tende a baratear o crédito, além de favorecer consumo e investimento. No entanto, esse ambiente também pode diminuir o controle inflacionário se a demanda crescer mais rápido do que a oferta.

Além disso, os bancos consideram outros fatores na formação do crédito ao consumidor. Entram nessa conta o risco de inadimplência, as despesas administrativas e as margens de lucro, o que, na prática, pode moderar ou amplificar o repasse da Selic para as taxas finais.

PIB segue estimado em 1,8% em 2026

No cenário de atividade econômica, o Boletim Focus manteve a projeção de crescimento do PIB em 1,8% para 2026. Além disso, para 2027, a expectativa também ficou em 1,8%. Já para 2028 e 2029, o mercado prevê expansão de 2% em ambos os anos.

Enquanto isso, o IBGE informou que, no terceiro trimestre de 2025, a economia cresceu 0,1%, resultado considerado de estabilidade. Além disso, a divulgação do PIB consolidado de 2025 está prevista para 3 de março.

Dólar permanece projetado em R$ 5,50 ao fim de 2026

No câmbio, a mediana das estimativas também não mudou. A projeção para a cotação do dólar no fim de 2026 permanece em R$ 5,50. Da mesma forma, para o fim de 2027, o mercado mantém a expectativa no mesmo patamar.

Assim, a fotografia atual do Focus combina inflação levemente menor, atividade estável nas projeções e uma trajetória de juros em queda, ainda que condicionada ao comportamento dos preços, ao ritmo do crescimento e às condições financeiras ao longo do ano.

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