META AMPLIA FILTROS DE CONTEÚDO PARA CONTAS DE ADOLESCENTES NO INSTAGRAM, FACEBOOK E MESSENGER
Mudanças incluem modo mais restritivo para jovens e testes no Instagram para evitar exposição repetitiva a temas como nutrição, musculação e ansiedade
Foto: Reprodução / internet
A Meta anunciou a expansão global das configurações de conteúdo para contas de adolescentes no Instagram, Facebook e Messenger. Com a medida, a empresa busca oferecer experiências mais adequadas à idade dos usuários jovens e, ao mesmo tempo, reduzir a exposição a conteúdos considerados sensíveis ou potencialmente prejudiciais.
Além disso, a companhia iniciou testes no Instagram para evitar que adolescentes vejam, de forma repetitiva, publicações sobre determinados temas. Entre os assuntos citados estão nutrição, musculação, magreza, mundo fitness e formas de lidar com ansiedade.
Segundo a Meta, alguns conteúdos podem ser úteis quando aparecem de maneira equilibrada. No entanto, quando esse tipo de publicação surge repetidamente, ele pode aumentar riscos ligados à comparação excessiva, à pressão estética, à ansiedade e à distorção da autoimagem.
Configuração 13+ será padrão para adolescentes
A partir da expansão, as contas de adolescentes passam a seguir, por padrão, a configuração de conteúdo chamada 13+. O modelo filtra publicações consideradas inadequadas para usuários mais jovens e, dessa forma, usa uma lógica semelhante à classificação indicativa de filmes, séries e programas de TV.
Com isso, adolescentes entre 13 e 17 anos terão uma experiência mais restrita nas plataformas da Meta. Além disso, quem já possui uma Conta de Adolescente entrará automaticamente nas novas configurações e, portanto, não poderá desativá-las sem autorização dos pais ou responsáveis.
A empresa também informou que a política chegará ao Facebook e ao Messenger. Assim, a Meta amplia o alcance das regras que já vinham sendo aplicadas no Instagram.
Instagram testará feed mais equilibrado
Uma das principais mudanças envolve o teste de um recurso no Instagram para diversificar o conteúdo exibido aos adolescentes.
Na prática, mesmo que uma publicação sobre nutrição, exercícios ou ansiedade seja considerada adequada isoladamente, o sistema poderá reduzir a recomendação caso identifique consumo repetitivo do mesmo tema.
Dessa maneira, a plataforma pretende evitar que jovens sejam expostos a sequências contínuas de conteúdos que possam reforçar inseguranças, pressão estética ou comportamentos compulsivos.
Com isso, a mudança deve afetar áreas como feed, Explorar e Reels.
Modo mais restritivo chegará ao Facebook e ao Messenger
Além da configuração padrão 13+, a Meta também vai disponibilizar uma opção chamada “Conteúdo limitado”. Essa modalidade oferece uma experiência ainda mais restritiva para adolescentes.
O recurso deverá chegar ao Facebook e ao Messenger ainda este ano. Dessa forma, pais e responsáveis poderão escolher um nível adicional de proteção para os filhos.
A proposta faz parte do programa Teen Accounts, lançado em 2024. Na ocasião, a empresa tornou automaticamente privados os perfis de adolescentes e, além disso, ampliou o controle dos responsáveis sobre a experiência digital dos jovens.
Pressão sobre segurança infantil cresce
O anúncio ocorre em um momento de forte pressão sobre as plataformas digitais. Governos, famílias, escolas e órgãos reguladores cobram medidas mais efetivas para proteger crianças e adolescentes no ambiente online.
Nos Estados Unidos e na União Europeia, a Meta enfrenta questionamentos legais e regulatórios sobre o impacto das redes sociais na saúde mental de jovens. Em março, por exemplo, um júri de Los Angeles considerou Meta e Google negligentes em um caso envolvendo danos a uma jovem usuária.
Além disso, outros processos contra empresas de tecnologia apontam preocupações com recursos como rolagem infinita, filtros de beleza, recomendações algorítmicas e mecanismos que podem estimular o uso excessivo.
Meta diz que reforçou avaliação dos filtros
A Meta afirma que trabalhou com a organização Alice, especializada em confiança e segurança online, para avaliar a eficácia das políticas voltadas aos adolescentes.
Além disso, a empresa declarou que pediu a pais e responsáveis que analisassem milhões de conteúdos. Com isso, a companhia buscou calibrar melhor os sistemas de moderação e classificação.
Segundo a Meta, os testes identificaram pontos de melhoria. Depois disso, a empresa corrigiu as falhas antes da expansão das novas regras.
Inteligência artificial também terá restrições
As mudanças também alcançam a Meta AI. A partir de agora, conversas entre adolescentes e o chatbot da empresa passarão a seguir os mesmos tipos de restrição de conteúdo usados no sistema de classificação para contas juvenis.
A decisão ocorre em meio à preocupação crescente com o impacto de chatbots de inteligência artificial sobre usuários jovens. Em janeiro, por exemplo, a Meta já havia bloqueado a possibilidade de adolescentes enviarem mensagens para personagens de IA do Instagram.
Portanto, com as novas medidas, a empresa tenta reduzir a exposição de adolescentes a conteúdos sensíveis e, ao mesmo tempo, ampliar o controle das famílias sobre a experiência digital dos filhos.
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